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Investigação da Polícia Federal aponta que o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Anderson Torres, que está preso, teria ido ao estado da Bahia, às vésperas do segundo turno da eleição de 2022, para coordenar pessoalmente uma operação de bloqueios em estradas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia do pleito que teria com objetivo impedir que eleitores do então candidato Lula chegassem às zonas eleitorais para votar.
Os investigadores descobriram um “boletim de inteligência” produzido pela então diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar, que detalhava os locais em que Lula havia sido mais votado no primeiro turno.
O documento foi elaborado em outubro do ano passado pela delegada que, posteriormente, foi trabalhar com Torres na Secretaria de Segurança do DF. Este levantamento serviu, segundo a PF, para que o ex-ministro botasse de pé a tentativa de atrapalhar a chegada dos eleitores aos locais de votação nestas regiões, com a célebre operação feita pela PRF no dia 30 de outubro. Ela tentou apagar o documento do seu celular, mas a PF recuperou parte do material.
Ainda de acordo com a PF, Torres fez uma viagem fora da agenda à Bahia nos dias que antecederam o segundo turno da eleição. Ele desembarcou na base aérea do aeroporto de Salvador num jato da FAB, junto com o diretor-geral da PF, Márcio Nunes, e seu secretário-executivo, o brigadeiro Antonio Lorenzo. O ex-ministro da Justiça e seus assessores se reuniram no final da manhã do dia 26 de outubro com o superintendente da Polícia Federal na Bahia, Leandro Almada, e seus dois assessores diretos, os delegados Flávio Marcio Albergaria Silva e Marcelo Werner Derschum Filho. O objetivo de Torres- apontam as investigações - seria o de coordenar pessoalmente as operações de bloqueio no dia da eleição.
Coincidências
"Coincidentemente", quem também esteve na Bahia na mesma semana, a dias para o segundo turno, foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele estava acompanhado de outros bolsonaristas "ilustres", o ex-deputado Daniel Silveira, que foi cassado e está preso, e André Porciúncula, policial e à época secretário especial de Cultura do governo.
Fotos do trio passeando pela Bahia nesta semana foram recuperadas pelo perfil Doutor Pândego no Twitter.
Ora, ora. Quem mais esteve em Feira de Santana e Salvador na Bahia pouco antes do segundo turno da eleição de 2022? Foi logo depois do episódio Jefferson.
— Doutor Pândego, The Watchdog (@DoutorPandego) April 4, 2023
Falo disto e um pouco mais aqui: https://t.co/GyQZicrLdi pic.twitter.com/jsATY4qDjH