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A ganância autoritária do presidente norte-americano Donald Trump sofreu um revés judicial histórico e humilhante na Suprema Corte dos Estados Unidos. Em uma decisão apertada por cinco votos a quatro, o tribunal barrou a tentativa ilegal e truculenta do bilionário de extrema-direita de demitir sumariamente a governadora do Federal Reserve, Lisa Cook. O julgamento representa um marco fundamental para conter a escalada de perseguição promovida pela Casa Branca contra servidores públicos progressistas, salvaguardando a permanência da dirigente — que é a primeira mulher negra a ocupar um assento no Conselho de Governadores do Fed em mais de um século de história da instituição — diante dos caprichos políticos e da fúria desregulamentadora do governo republicano.
O massacre jurídico contra as pretensões de Trump foi liderado pelo próprio presidente da corte, John Roberts, que foi acompanhado pelo ministro Brett Kavanaugh e pelas três ministras da ala liberal do tribunal. No relatório da decisão majoritária, Roberts humilhou a estratégia do chefe do Executivo ao apontar que a Casa Branca ignorou de forma vergonhosa as proteções processuais básicas às quais Lisa Cook tinha direito por lei, tentando destituí-la sem o devido processo legal. A Suprema Corte reafirmou a tradição secular de independência da autoridade monetária em relação aos mandos e desmandos do Salão Oval, destacando que os membros do Conselho de Governadores possuem mandatos fixos de quatorze anos justamente para evitar o aparelhamento político e a corrosão institucional das estruturas de Estado por governantes autoritários.
A perseguição covarde contra a economista havia começado em agosto do ano passado, quando Trump utilizou suas redes sociais de forma histriônica para divulgar acusações fraudulentas e sem provas contra Cook, baseadas em relatórios fabricados por um diretor imobiliário indicado pelo próprio presidente. Lisa Cook, indicada originalmente pelo governo democrata de Joe Biden em 2022, rechaçou desde o primeiro momento as calúnias e denunciou o pretexto mentiroso da extrema-direita, que tentava criminalizar seu histórico profissional apenas porque ela se recusava a ceder às pressões diárias do bilionário para manipular as taxas de juros em favor dos interesses do mercado especulativo de Wall Street. Em nota comemorativa, a dirigente celebrou a vitória da dignidade e garantiu que continuará definindo a política monetária com foco exclusivo no bem-estar social do povo trabalhador americano.
Enquanto Lisa Cook obteve uma vitória maiúscula contra o racismo e o machismo institucional da extrema-direita, o julgamento no mesmo dia expôs o perigo que o restante da burocracia estatal norte-americana ainda corre sob as garras do trumpismo. A maioria conservadora da corte validou, no mesmo pacote, a demissão de Rebecca Slaughter da Comissão Federal de Comércio, sinalizando um avanço perigoso do controle do Executivo sobre agências reguladoras de proteção ao consumidor. Apesar desse recuo preocupante em outras frentes, o rechaço definitivo à destituição de Lisa Cook consolida uma barreira intransponível na maior economia do planeta, demonstrando que nem mesmo o controle conservador no Judiciário é capaz de avalizar as manobras ilegais de Donald Trump para asfixiar a diversidade e a autonomia dos órgãos públicos.
Com informações do Brasil247
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