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A Polícia Federal deflagrou uma nova ação de busca e apreensão na mansão do advogado Nelson Wilians, localizada em São Paulo, cumprindo ordens expedidas pela 4ª Vara Federal da Paraíba. A intervenção faz parte da Operação Arena, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e movimentações ilegais ligadas ao setor de jogos de azar e apostas esportivas. O foco central da apuração recai sobre a empresa PixBet, sediada na Paraíba, e sobre a PixStar, situada em Curaçao, devido a repasses suspeitos entre ambas e à criação de estruturas corporativas no exterior voltadas para ocultar a origem dos recursos.
Defensor de figuras públicas como João Doria e Pablo Marçal, Nelson Wilians é apontado pelos investigadores como suposto operador financeiro da organização, acusado de ocultar bens comprados com verbas das práticas investigadas. Conhecido pelo estilo de vida ostentação exposto para mais de 1,4 milhão de seguidores em redes sociais, o advogado acumulou histórico de apoio político à extrema direita, inclusive assinando em 2018 um manifesto em defesa de Jair Bolsonaro. Ao todo, a Justiça autorizou a quebra de sigilos bancário e telemático, o sequestro de até R$ 1,1 bilhão e o cumprimento de 17 mandados de busca distribuídos por cinco estados.
De acordo com as autoridades policiais, os alvos do procedimento podem responder por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes contra o sistema financeiro nacional. Esta nova fase ostensiva soma-se a uma sequência de desdobramentos policiais contra o advogado, que já havia enfrentado medidas judiciais no mês anterior durante a Operação Distrato, conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) para apurar fraudes na venda de créditos fiscais de ICMS.
No caso referente ao ICMS, o órgão fiscalizador apontou que companhias vinculadas a Nelson Wilians ofereciam créditos tributários ilegítimos sob a falsa alegação de planejamento autorizado pelo Fisco, cobrando honorários de até 70% sobre os valores abatidos. As apurações identificaram quase 10 mil lançamentos suspeitos envolvendo mais de 850 empresas, resultando na lavratura de 746 autos de infração que juntos ultrapassam R$ 3,8 bilhões em prejuízos gerados aos cofres públicos paulistas.
A trajetória de investidas judiciais contra o advogado também inclui uma etapa anterior deflagrada pela Polícia Federal na Operação Cambota, desdobramento da Operação Sem Desconto. O processo em questão investigou o desconto indevido em proventos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Na apuração sobre as irregularidades previdenciárias, relatórios do órgão policial apontaram transações financeiras de grande porte efetuadas entre o escritório de Nelson Wilians e o empresário Maurício Camisotti. Diante de cada um dos episódios investigados, o advogado negou qualquer atuação ilegal e declarou que a totalidade das movimentações financeiras registradas envolve exclusivamente a prestação regular de seus serviços advocatícios.
Com informações do DCM
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