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A promíscua relação entre o poder econômico das bancas de apostas e a política tradicional ganha contornos de escândalo na Paraíba. A Pixbet, empresa de apostas online sob rigorosa investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, estendeu seus tentáculos sobre o cenário político estadual. Sob o comando de seu proprietário, Ernildo Junior, a empresa passou a aparelhar estruturas públicas para patrocinar candidaturas, incluindo o pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, consolidando uma perigosa rede de cooptação financeira e eleitoral.
A estratégia de dominação política teve seu ponto de partida nas eleições municipais de 2024, quando Ernildo Junior articulou a eleição de seu próprio funcionário, Michel Alexandre Pereira Marques, conhecido na região como "Alexandre Pixbet", para a prefeitura de Serra Branca. A vitória contou com o apadrinhamento inicial do senador Efraim Filho (União), expoente da bancada das bets no Congresso Nacional, e de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Desde então, o pequeno município do cariri paraibano foi transformado em verdadeiro balcão de negócios e base de articulação política regional a serviço dos interesses privados da empresa.
Após consolidar seu indicado na chefia do Executivo municipal, Ernildo rompeu com Efraim Filho e redirecionou suas alianças em busca de mais influência. O empresário declarou apoio ostensivo a Cícero Lucena (MDB), ex-prefeito de João Pessoa e indicado ao governo estadual, selando o compromisso publicamente em Serra Branca. A teia de favorecimentos alcançou também Nabor Wanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos e pai de Hugo Motta, que recebeu garantia de apoio público para sua postulação ao Senado durante as festividades de emancipação do município. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que busca a reeleição, é outro nome citado entre os beneficiados pela articulação do grupo.
O aparelhamento em Serra Branca revela como o patrimônio público foi colocado à disposição de negócios privados e obscuros. Para blindar e gerir a máquina local, Ernildo alocou seu ex-gerente na Pixbet, Pedro Aleixo, no cargo de secretário de Administração e Finanças. Logo em seguida, o prefeito aprovou na Câmara Municipal um projeto de lei sob medida que concedeu generosas reduções de ISS, IPTU e ITBI. Com o pacote de benesses fiscais aprovado, a sede da Pixbet foi rapidamente transferida de Campina Grande para Serra Branca, garantindo lucros e vantagens tributárias diretas ao empresário investigado.
A promiscuidade entre o setor público e a empresa de apostas já resultou em investigações diretas do Ministério Público da Paraíba. O prefeito Michel Alexandre tornou-se alvo de apuração após um caminhão-pipa, adquirido com verbas públicas do município, ser flagrado prestando serviços dentro de uma fazenda privada pertencente a Ernildo Junior na cidade vizinha de Gurinhém. O episódio escancara a total ausência de limites entre o uso do dinheiro do povo e os privilégios concedidos ao patrono da Pixbet.
Confrontados com as graves denúncias e a atuação da Polícia Federal, lideranças políticas tentam se esquivar e adotam a tática do silêncio ou da minimização. O senador Veneziano Vital do Rêgo buscou se distanciar alegando desconhecer a investigação e afirmando que o apoio recebido não implica relação direta com o empresário. Enquanto isso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e as assessorias de Cícero Lucena e Nabor Wanderley preferiram o silêncio diante do escândalo de cooptação do poder público pelas apostas.
Com informações da Fórum
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