Dino e Moraes esvaziam discurso bolsonarista sobre sigilo de fonte e revelam trama no Maranhão

Portal Plantão Brasil
14/8/2026 11:20

Dino e Moraes esvaziam discurso bolsonarista sobre sigilo de fonte e revelam trama no Maranhão

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O ministro Flávio Dino rebateu com veemência as manobras e críticas desferidas por setores da extrema direita e pelo bolsonarismo, que tentam transformar um caso grave de intimidação e monitoramento ilegal em uma falsa narrativa de violação da liberdade de imprensa. O magistrado relembrou que ele e seus familiares foram alvos de um criminoso esquema de vigilância no Maranhão, comparando a gravidade do episódio à perseguição sofrida por ministros da Corte durante os anos sombrios da ditadura militar. Dino disparou contra os detratores ao destacar o cinismo daqueles que possuem histórico de complacência ou ligação com regimes autoritários e que agora tentam cinicamente dar lições de liberdade ao STF.

Assista ao vídeo no X:



A polêmica envolve uma apuração da Polícia Federal que alcançou o blogueiro Luís Pablo e o delegado federal aposentado e ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim. A extrema direita apressou-se em explorar o caso alegando uma suposta quebra do sigilo da fonte jornalística. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes fez questão de explicitar em plenário a profunda diferença entre a garantia constitucional da atividade de imprensa e o uso dessa proteção como salvo-conduto para a prática impune de infrações penais. O sigilo da fonte, reafirmou Moraes, serve para proteger a democracia e o interesse público, jamais para acobertar redes clandestinas e aparatos de espionagem.

A investigação da Polícia Federal revelou que Raimundo Cutrim não era um mero informante ocasional trazendo fatos de interesse público à tona. O ex-secretário já figurava como investigado em um processo sobre obstrução de Justiça relacionado ao assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira, ocorrido em 2022. Esse processo chegou ao Supremo no final de 2025 e foi distribuído por sorteio justamente para a relatoria de Flávio Dino. Coincidentemente, poucos dias após Dino assumir o caso de Cutrim, começou o monitoramento sistemático e ostensivo sobre a rotina, os veículos oficiais e os deslocamentos dos parentes do ministro, alcançando até mesmo um carro particular de seu irmão.

A Polícia Federal identificou o envolvimento de Cutrim não por meio do constrangimento ao blogueiro para que revelasse quem era seu informante, mas sim a partir de perícias em computadores e celulares apreendidos com autorização judicial. Os dados periciados demonstraram que Cutrim usou suas credenciais e a condição de ex-gestor para acessar ilegalmente sistemas restritos de segurança pública, levantando itinerários do ministro e repassando tudo ao blogueiro. O material servia para alimentar matérias com o claro intuito de intimidar o magistrado e criar ilações sobre o uso de veículos oficiais da segurança institucional do Tribunal de Justiça do Maranhão e do STF.

Além da espionagem direcionada, os desdobramentos da operação policial revelaram graves indícios de suporte financeiro por trás da rede de publicações. A perícia da Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 100 mil realizada em benefício do blogueiro Luís Pablo, intermediada por terceiros e com a participação do advogado Diogo Diniz Lima na orientação dos conteúdos políticos divulgados. Embora o blogueiro alegue que o valor refere-se a um empréstimo pessoal já devolvido e negue a perseguição, os investigadores apuram o financiamento e a articulação material para atacar a imagem e a segurança das autoridades judiciais.

O episódio expõe mais uma investida da extrema direita para desgastar as instituições democráticas e coagir os magistrados que atuam no cumprimento da lei. Ao dirigir-se aos colegas de bancada, Flávio Dino relatou a angústia de ver fotos de seus filhos expostas como forma de recado velado, agradecendo o apoio do presidente do STF, Edson Fachin, e do ministro Alexandre de Moraes. Dino ressaltou que sua trajetória de 37 anos no serviço público é sua maior defesa e que, embora as limitações da magistratura o impeçam de travar o debate político combativo como aprendeu, o Supremo não se curvará a métodos chantagistas e de intimidação.

Com informações da Fórum

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