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A escalada protecionista promovida pelo governo dos Estados Unidos ganhou mais um capítulo de pressão sobre o comércio internacional. O Escritório de Política Comercial e Industrial da Casa Branca incluiu formalmente o Brasil em uma lista de países classificados com risco elevado de integrar redes de triangulação de mercadorias originárias da China. O relatório enquadrou o país no chamado Nível 2, categoria reservada às economias que possuem integração profunda com cadeias produtivas chinesas e expressivo volume de operações de transbordo (transshipment).
A classificação estadunidense visa atingir o redirecionamento de bens por terceiros países para burlar as tarifas de importação e barreiras alfandegárias impostas por Washington. No documento, o governo estadunidense aponta que o Brasil e a Turquia operam como grandes plataformas logísticas e industriais regionais, reunindo capacidade técnica para responder a pedidos de alteração de origem ou transformação simplificada de insumos em variadas categorias de produtos.
Além da economia brasileira, a lista do Nível 2 abrange países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. No total, a publicação da Casa Branca associa mais de 40 nações a um suposto risco aumentado de fraudes fiscais no comércio transfronteiriço. Até mesmo parceiros estratégicos de Washington, a exemplo de México, Canadá, União Europeia, Índia, Japão e Coreia do Sul, foram rotulados pelo texto como "facilitadores" da expansão comercial chinesa, sem que fossem apresentadas provas ou casos concretos contra o Brasil no trecho divulgado.
A ofensiva retórica do governo etadunidense foi acompanhada de ameaças diretas feitas por Peter Navarro, diretor do órgão da Casa Branca. Em declarações à imprensa, o auxiliar da gestão de Donald Trump classificou o relatório como uma advertência aos mercados globais para conter o desvio de tarifas. Estimativas privadas de inteligência em cadeias de suprimento projetam que a triangulação irregular movimente bilhões de dólares anualmente, gerando perdas bilionárias na arrecadação aduaneira dos EUA.
Apesar das acusações, o próprio documento da Casa Branca admite que a migração de etapas produtivas da China para outros países decorre de movimentos legítimos de mercado, conhecidos como estratégia "China + 1". Para tentar diferenciar investimentos industriais reais de meras fraudes de passagem de carga, os Estados Unidos anunciaram a adoção do sistema "fronteira detetive". A tecnologia usará inteligência artificial para cruzar dados de rotas, capacidade instalada, manifestos de carga e escaneamento por raio-X nos portos internacionais.
Com informações do DCM
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