Kotscho: Sem impeachment, PSDB fica sem rumo nem discurso

Portal Plantão Brasil
1/10/2015 14:06

Kotscho: Sem impeachment, PSDB fica sem rumo nem discurso

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410 visitas - Fonte: Por Ricardo Kotscho*,

Por Ricardo Kotscho*, em seu blog



Para uma oposição que tinha como único projeto de vida derrubar a presidenta reeleita um ano atrás, como ficou claro no programa de televisão dos tucanos levado ao ar em cadeia de rádio e TV na segunda-feira, os acontecimentos dos últimos dias não poderiam ser mais desalentadores.



Por maiores que sejam as dificuldades enfrentadas pelo governo central na política e na economia, as oposições comandadas pelo PSDB vão ter que recolher suas bandeiras incendiárias do quanto pior melhor e os pareceres dos seus juristas de plantão, pelo menos por algum tempo, pois não conseguiram se apresentar à sociedade como real alternativa de poder dentro das regras constitucionais.



Enquanto o governo ganha tempo, depois de enfrentar nove meses de artilharia pesada, em que a oposição andou a reboque do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do ministro Gilmar Mendes, do STF, o PSDB terá que encontrar um novo discurso para disputar as eleições municipais do próximo ano. Só bater no governo e no PT já não basta. Por enquanto, o partido não tem sequer um candidato competitivo em São Paulo, a maior cidade do país e o principal reduto tucano.



A não ser que surjam fatos novos na Lava Jato, no TSE ou no TCU, a tendência é que o tema do impeachment fique em banho maria, sem prazo para voltar às manchetes. Ao perceber a mudança do vento, até a empresária e socialite Rosângela Lyra, uma das estrelas dos movimentos organizados contra o governo, já caiu fora, depois de brilhar semanas atrás ao organizar um encontro entre o vice-presidente Michel Temer e empresários críticos do governo.



“As pessoas acham que a corrupção está só em Brasília, mas está em todo o Brasil. A minha bandeira não é do impeachment. É de transformação do Brasil. Prefiro estar associada ao combate à corrupção”, disse ela, ao justificar a sua saída do movimento “Acorda Brasil”. Pode ser uma boa dica para os caciques tucanos empenhados na busca de um novo rumo.



Quem saiu ganhando, mais uma vez, foi o PMDB, o verdadeiro partido do poder desde a redemocratização. Além de manter os seis ministérios que já tinha, ainda ficou com o poderoso Ministério da Saúde e conseguiu, finalmente, tirar o seu desafeto Aloizio Mercadante da Casa Civil. Nem PT nem PSDB, os partidos que se revezaram no Palácio do Planalto nos últimos 20 anos: a bola agora está com o PMDB. Alguma surpresa?



Vida que segue.



*É repórter especial, editor, colunista, blogueiro e diretor de jornalismo. Atualmente é comentarista do Jornal da Record News e repórter especial da revista Brasileiros







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