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Ligação grampeada entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma prova que as informações que o Planalto tem sobre o processo de investigação da Operação Lava Jato são as mesmas do senso comum e, inclusive, menos do que sabe a imprensa.
A conversa em referência foi realizada no dia 4 de março, data em que Luiz Inácio Lula da Silva sofreu condução coercitiva pelos investigadores da força-tarefa, sob autorização do juiz Sergio Moro, da Vara Federal de Curitiba.
"Eu acho que o Moro quis fazer o espetáculo, de pirotecnia. As perguntas foram as mesmas que eu já respondi ao Ministério Público e aos dois delegados da Polícia Federal. Nos meus filhos, levaram os dois documentos que já tinham levado quando fizeram a invasão na casa do meu filho", manifestou Lula a Dilma.
O ex-presidente comprovou, ainda, que não tinha conhecimento prévio da condução realizada pela Lava Jato naquela sexta-feira, porque foi pego de surpresa e, no final da tarde, ainda não tinha conseguido conversar com o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto e com Clara Ant. "Foram na casa do Paulo Okamotto, eu não conversei com o Paulo, foram na casa da Clara antes. A Clara tava dormindo sozinha, quando entrou cinco homens lá dentro, ela pensou que era um produto de Deus, era a Polícia Federal", brincou Lula, fazendo a presidente Dilma rir.
Em seguida, o diálogo registra a falta de conhecimento do ex-presidente e da presidente sobre o que é agora a mira da Operação de Sergio Moro - de que empreiteiras da Lava Jato teriam repassado propinas a Lula e ao PT, em objetos, reformas e imóveis.
"A tese deles é de que tudo o que tá acontecendo foi uma quadrilha montada em 2003 e, portanto, perdura até hoje, sabe... E dentro do Palácio!", debocha o ex-presidente. "Quer dizer, é a tese deles! Então, eles não precisam explicação. Como a teoria do domínio do fato não precisava de explicação, o crime estava dado, agora a imprensa diz que é criminoso e eles colocam", afirmou.
"O que eu to dizendo, Dilma, é que no PT não tem mais trégua, de ficar acreditando na luta jurídica. Ou seja, nós temos que aproveitar a nossa militância e ir pra rua. Eu, eu sinceramente, que tô querendo me aposentar, eu vou antecipar a minha campanha para 2018, eu vou acertar de viajar esse país a partir da semana que vem, sabe, e quero ver o que vai acontecer. Eu não vou ficar, eu não vou ficar parado", lamentou.
A presidente Dilma, então, seguiu comprovando o baixo nível de informações que detém da Lava Jato, e questionou: "a você não acha estranho aquela história de quinta-feira? A IstoÉ antecipar... E justamente no dia seguinte, na sexta-feira, o senhor ser chamado...".
"É o espetáculo, é o espetáculo de pirotecnia, sem precedentes, querida! É o seguinte, eles estão convencidos que com a imprensa chefiando qualquer processo investigatório, eles conseguem refundar a República", respondeu Lula.
Momentos depois, o ex-presidente reclamou de a busca dos investigadores estar centrada no acervo presidencial de Lula. "Eu to pensando em pegar todo o acervo, eu não vou tomar decisão, e levar e jogar na frente do Ministério Público. Eles que enfiem no --- e que tomem conta disso", desabou. "O acervo de quê?", perguntou a presidente. "Ah, Dilma, essas tranqueira que eu ganhei quando eu tava na Presidência". "Dá para eles. Eu vou fazer a mesma coisa com os meus, viu?", concluiu Dilma.
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