Estratégia do medo: bolsonaristas usam intolerância religiosa para atacar adversários
Influenciadores e políticos bolsonaristas recorrem a desinformação sobre religiões de matriz africana para promover uma suposta guerra espiritual contra opositores.

Uma ofensiva articulada por influenciadores e figuras políticas ligadas ao bolsonarismo tem utilizado a intolerância religiosa como ferramenta de campanha. Segundo monitoramento realizado pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque, perfis de grande alcance estão distorcendo rituais de matriz africana para associar apoiadores de Lula a ameaças espirituais contra o candidato Flávio Bolsonaro.
Entre os episódios destacados, perfis ligados ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilharam imagens do ato 'Tambores pela Democracia', realizado em 22 de outubro no Largo da Batata, em São Paulo. O conteúdo sugere, sem provas, que os manifestantes estariam realizando rituais de morte. No entanto, o Coletivo Bereia, especializado em checagem de desinformação religiosa, confirmou que não há evidências de qualquer ameaça nos atos.
Especialistas esclarecem que a interpretação bolsonarista ignora o significado real das práticas. O pai de santo David Dias explicou que as cantigas da tradição da Jurema, entoadas no ato, tratam de proteção e contenção de forças que ameaçam povos tradicionais. A pesquisadora Carolina Rocha, do Iser, reforça que expressões como 'amarrar' possuem sentidos rituais de banimento, sem representar desejos literais de violência.
A tática de demonizar crenças afro-brasileiras não é nova no campo bolsonarista. Desde 2022, figuras como a senadora Michelle Bolsonaro e a vereadora Sonaira Fernandes (PL-SP) utilizam narrativas de 'guerra espiritual' para atacar o campo progressista. O uso de desinformação religiosa busca consolidar uma base eleitoral através do medo e da estigmatização de tradições ancestrais.
Em resumo
- Influenciadores bolsonaristas distorcem rituais afro-brasileiros para criar pânico moral.
- Checagens desmentiram acusações de que manifestantes teriam ameaçado a vida de Flávio Bolsonaro.
- Especialistas alertam que a interpretação de rituais como 'violência' ignora o contexto de proteção espiritual dessas religiões.
Fonte: ICL Notícias

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