logo

30/10/2016 18:18

Procuradores da Lava Jato usam discurso de Aécio em coluna na Folha para defender PSDB

Eles não podem admitir que são partidários e parciais

Os procuradores da Lava Jato Deltan Dallagnol e Orlando Martelo usaram um espaço opinativo na Folha de S. Paulo, neste domingo (30), para dizer que a Lava Jato não investigou, até aqui, apenas PT, PMDB e PP porque assim queria, mas porque esses partidos apoiaram os últimos governos, de Lula e Dilma Rousseff. A justificativa é uma resposta às críticas de que a operação tem feito perseguição política e partidária.

“Verdade que os partidos mais atingidos na Lava Jato são PT, PP e PMDB. (…) Contudo, isso não ocorre por escolha dos investigadores, e sim porque as indicações de dirigentes de órgãos federais se dão pelo partido no poder ou sua base aliada. Assim, os cargos de diretoria da Petrobras foram ocupados por essas legendas, e não pela oposição ao governo petista.”

A tese dos procuradores é muito similiar aos argumentos usados por Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e candidato derrotado por Dilma na eleição de 2014, para afastar acusações de que tucanos também receberam doações eleitorais irregulares das empresas investigadas pela Lava Jato – as mesmas que também doaram para PT, PMDB e outras legendas.

Abordado pela imprensa, Aécio costumava dizer que o PSDB não poderia ser acusado de corrupção pela Lava Jato simplesmente porque não dispunha de nenhum indicado na Petrobras. A delação da Odebrecht, contudo, promete mostrar que as empreiteiras também faziam doações para o caixa dois dos tucanos. José Serra, por exemplo, teria recebido R$ 23 milhões para a campanha presidencial de 2010, valor articulado por um tesoureiro informal que também trabalhou para as campanhas de FHC e Aécio.

Em artigo na Folha, os procuradores passam a mensagem de que não fazem distinção entre quem roubou mais e quem roubou menos, ou entre quem recebeu propinas em contas na Suíça ou benefícios de forma indireta. “(….) talvez o maior impacto da Lava Jato tenha sido a responsabilização igualitária dos criminosos, pouco importando cargo ou bolso. Perseguiu-se a grande corrupção, aquela que deslegitima as instituições e até então era imune ao Judiciário”, afirmam.

No texto, os membros da força-tarefa tentam rechaçar a ideia do Congresso de aprovar alguns projetos que afrontam o abuso de autoridade, além da anistia ao caixa dois. Também há dedicação a desmontar a defesa do ex-presidente Lula, que recorreu até mesmo à ONU (Organização das Nações Unidas) contra o espetáculo midiático da Lava Jato e as decisões do juiz Sergio Moro.

Para os procuradores, como o “acervo probatório produzido é imenso”, os invstigados passaram à tática de “negar os fatos”. Como isso “já não funcionava, passaram a difundir a falsa ideia de abusos na Lava Jato. (…) A alegada perseguição [outra crítica à força-tarefa] é o mantra da defesa política quando a defesa jurídica não prospera.”

“O ataque mendaz à credibilidade da Lava Jato e dos investigadores tem um propósito. Prepara-se o terreno para, em evidente desvio de finalidade, aprovar projetos de abuso de autoridade, de obstáculos à colaboração premiada, de alterações na leniência e de anistia ao caixa dois”, dizem.

MAIS
» Médico lista 5 feitos históricos dos governos Lula e Dilma pela saúde
» Aécio é delatado novamente e é o primeiro a ser comido pela Odebrecht

12789 visitas - Fonte: Jornal GGN

Últimas notícias

Notícias do Flamengo Notícias do Corinthians