Vídeo: Coronel Jean Lawand Júnior finge se arrepender de pedido de golpe a Mauro Cid

Portal Plantão Brasil
27/6/2023 12:31

Vídeo: Coronel Jean Lawand Júnior finge se arrepender de pedido de golpe a Mauro Cid

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1118 visitas - Fonte: O Globo

O coronel Jean Lawand Júnior disse nesta terça-feira que se arrepende de ter mandado uma mensagem, com teor golpista, em que declarava que "se a cúpula do Exército não está com ele (Jair Bolsonaro), da Divisão para baixo está”. Em depoimento à CPI do 8 de janeiro nesta terça-feira, o militar alegou que planejava ter uma manifestação do ex-presidente Jair Bolsonaro para evitar uma "revolta" e "convulsão social" e que não queria um golpe.

– Essa colocação minha foi muito infeliz. Sou um simples coronel conversando em um grupo de WhatsApp com um amigo, não tinha comandamento, não tinha condições, não tinha motivação para qualquer tipo de golpe. Essa observação minha foi muito infeliz porque não tinha contato com ninguém do Alto Comando. Fui infeliz e me arrependo. Nessa colocação fui muito infeliz, não deveria ter feito. Não posso, na minha condição de coronel, dizer o que pensa o Alto Comando – lamentou.

Lawand enviou mensagens incentivando Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, a dar um golpe. O depoimento dele acontece menos de duas semanas depois das conversas serem reveladas durante investigação da Polícia Federal.

Em uma das conversas, Lawand relatou o encontro de “um amigo do QG” com o general Edson Skora Rosty, então subcomandante de Operações Terrestres, que teria anuído com a ofensiva. “Foi uma conversa longa, mas, para resumir, se o EB (Exército Brasileiro) receber a ordem, cumpre prontamente”, disse, antes de ponderar: “De modo próprio o EB nada vai fazer, porque será visto como golpe. Então, está nas mãos do PR (presidente)”.

Em sua fala inicial na CPI, o militar exaltou seu currículo e disse que nunca cometeu nenhuma ilegalidade. Mesmo negando ter pregado um golpe, o coronel admitiu que uma parcela de eleitores de Bolsonaro queria uma intervenção militar para impedir Lula de tomar posse.

– A Polícia Federal deu interpretação às mensagens, mas vim aqui dar a minha interpretação. O país, após o pleito eleitoral, com a vitória do presidente Lula, gostemos ou não, passou a ter ideias antagônicas. Havia dois grupos disputando, uns acreditando que a eleição foi legítima, outras não. As pessoas foram às ruas, foram à frente dos quartéis para pedir intervenção militar, estavam insatisfeitas – disse Lawand à CPI.

– Aquela comoção, com o país todo dividido, não eram apenas as pessoas que estavam nos quartéis, era a sociedade brasileira dividida. Isso tudo, a gente vendo aquelas pessoas, a insegurança trazida por aquilo que podia levar a alguma convulsão social, alguma revolta, algum problema na segurança, foi o que falei – declarou o militar.

O coronel evitou responsabiizar Bolsonaro pela falta de manifestação sobre os pedidos de intervenção, mas ressaltou que desejava uma declaração do ex-presidente.

– A ideia minha, desde o começo, desde a primeira mensagem, foi que viesse alguma manifestação para poder apaziguar aquilo, para que as pessoas voltassem às suas casas e a vida normal. Que viesse da parte do governo naquela época formado, o presidente Bolsonaro tinha alguma liderança sobre a população, pelo menos sobre seu eleitorado.

As explicações do militar foram rebatidas por uma parte da comissão. O deputado Rogério Correia (PT-MG) chamou Lawand de "mentiroso". Da mesma forma, o deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA) declarou que a versão apresentada por ele de que as mensagens não se tratavam de golpe não é "possível de acreditar" e é "muito pouco crível".

O deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) também reclamou das respostas dadas pelo coronel e disse que Lawand "fez um verdadeiro incentivo ao golpe".

– A sua narrativa vale muito pouco para essa comissão. Aqui o senhor não está falando como testemunha, com o dever de falar a verdade, aqui o senhor deveria estar como investigado. A sua tentativa de fala está servindo mais como instrumento de defesa no processo judicial, do que verdadeiramente para trazer luz sobre os fatos acontecidos no nosso país.

Os diálogos entre Lawand e Cid, que aconteceram em dezembro, a poucos dias do fim do mandato de Bolsonaro, contam com frases como "convença o 01 a salvar esse país", "o presidente vai ser preso" e "Cidão, pelo amor de Deus, cara. Ele dê a ordem, que o povo está com ele, cara". Após as mensagens virem à tona, o Exército afirmou que se tratam de "opiniões pessoais" que não representam o pensamento da Força. Por conta da repercussão do caso, Lawand deixou de ser enviado para a representação diplomática do Brasil nos Estados Unidos. O caso foi tornado público pela revista Veja no dia 15 de junho. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, Lawand pode ficar em silêncio durante perguntas que o incriminem.

Em outra mensagem, Lawand comentou sobre a possibilidade de Bolsonaro ser preso.

"O presidente vai ser preso. E pior, na Papuda, cara. Na Papuda, porque até isso aquele filho da puta quer tirar dos caras. O direito de ser preso é.. prisão especial com curso superior", escreveu o militar.

No depoimento de hoje, o coronel evitou atribuir um crime ao ex-presidente.

– Tudo era atribuído a ele, tudo diziam que ele era responsável e que se acontecesse alguma coisa com aquelas pessoas paradas na rua, movimento crescendo, o embate de ambos os lados, aquela violência com consequências maiores poderia ser atribuída a ele. Que crime seria eu não sei.

A sessão segue o roteiro traçado pela relatora da CPI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que planeja obter informações sobre episódios anteriores ao 8 de janeiro que também compartilham do teor golpista. Na semana passada foram ouvidos George Washington Oliveira, gerente de posto de gasolina preso por um ataque com bomba nas imediações do aeroporto de Brasília em dezembro, e Silvinei Vasques, ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal investigado por suspeita de beneficiar Bolsonaro no segundo turno da eleição.

Além da relação de Lawand com Mauro Cid e Bolsonaro, a base do governo também quer aproveitar o depoimento para entender melhor a ligação do militar com o acampamento bolsonarista que se instalou no Quartel General do Exército, em Brasília, logo após a derrota de Bolsonaro na eleição. Em uma das mensagens divulgadas, Lawand reclama com Cid que os apoiadores do ex-presidente estavam "há 52 dias cagando em banheiro químico e pegando chuva".

Em depoimento prestado à CPI ontem, o coronel Jorge Eduardo Naime, ex-comandante do Departamento de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), culpou o Exército por dificultar a tentativa de desmontar o acampamento.



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