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O governo de Donald Trump voltou a agitar a diplomacia ao cogitar classificar facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. A ideia, levantada pela consultoria Eurasia Group, surge em meio à retaliação contra o Brasil após a condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
Trump já deixou claro que pretende punir o país, chamando o julgamento de “caça às bruxas” e impondo tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes já foi alvo de sanção sob a Lei Global Magnitsky, o que mostra a escalada de hostilidade vinda de Washington.
De acordo com Christopher Garman, diretor para as Américas da Eurasia, a principal dificuldade seria identificar as conexões do PCC e do CV, dado seu tamanho e infiltração no setor privado. Mesmo assim, ele considera provável que a medida avance em até oito meses. Para os EUA, isso se soma a uma retórica de “narcoterrorismo” que já atingiu grupos como o cartel Jalisco Nueva Generación, no México, e o Tren de Aragua, da Venezuela.
O Planalto acompanha com atenção, já que a classificação poderia abrir brechas para operações militares unilaterais na região e constrangimentos em fóruns multilaterais. Em discurso no Brics, o presidente Lula foi enfático: terrorismo não pode ser confundido com crime organizado. Para ele, esse tipo de manobra é desculpa para intervenções ilegítimas, que violam o direito internacional.
Em maio, o Brasil rejeitou oficialmente pedido de Washington para também incluir as facções em sua lista de terrorismo. A justificativa é que a Lei Antiterrorismo de 2016 exige motivação ideológica — algo inexistente em grupos cuja finalidade é apenas econômica. Para o governo, acatar a pressão dos EUA seria abrir mão da soberania nacional.
Analistas alertam que o risco maior está na manipulação política. Transformar o crime organizado em arma de política externa permitiria aos EUA expandir sua presença militar na América Latina. Ao mesmo tempo, colocaria o governo brasileiro em posição de “submissão” no debate interno. A morte do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, atribuída ao PCC, apenas acentua o momento delicado. O desafio de Lula será enfrentar a retórica belicista de Trump sem permitir ingerência estrangeira sobre o Brasil.
Com informações do DCM
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