181 visitas - Fonte: Plantão Brasil
Os advogados de Jair Bolsonaro, que cumpre pena em Brasília após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, voltaram a pressionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com um pedido de prisão domiciliar por supostas razões humanitárias. A defesa alega que o ex-presidente sofre de "multimorbidade crônica", citando problemas cardíacos e respiratórios para tentar convencer a Corte de que o ambiente carcerário é perigoso para sua integridade física. A tentativa de fuga da Papudinha ocorre no momento em que a justiça finalmente alcança os responsáveis por atentar contra as instituições democráticas brasileiras.
Mesmo admitindo que a cela recebeu adaptações específicas para atendê-lo, a defesa de Bolsonaro insiste que o conjunto probatório revela riscos clínicos que o cárcere não poderia mitigar. Os advogados argumentam que o ex-presidente necessita de uma dieta rigorosa de seis refeições fracionadas e vigilância médica ininterrupta, algo que consideram incompatível com as limitações estruturais da prisão. No entanto, essa narrativa de fragilidade contrasta com a imagem de força que o ex-capitão tentava projetar enquanto incitava movimentos golpistas e desdenhava da saúde pública durante seu governo.
A manifestação da defesa tenta desqualificar um laudo anterior da Polícia Federal, que foi enfático ao afirmar que a unidade de custódia possui todas as condições adequadas, incluindo protocolos de emergência prontos para serem acionados. Inclusive, em um momento de contradição, o próprio Bolsonaro chegou a declarar que sua cela atual é superior a locais onde esteve detido anteriormente. Para os advogados, porém, o risco de uma obstrução intestinal súbita ou crises noturnas justificariam o benefício da isonomia, citando o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello como precedente para a concessão da domiciliar.
Caso o pedido principal de soltura seja negado, os advogados apresentaram uma lista de exigências adicionais, que incluem monitoramento de saúde 24 horas e até a adaptação de sessões de fisioterapia para o período noturno. A petição sustenta que a manutenção da prisão compromete a "dignidade da execução da pena", um argumento irônico vindo de quem sempre defendeu o endurecimento das condições prisionais e o fim de direitos para detentos comuns. A estratégia busca claramente transformar a execução da pena em um privilégio, livrando o líder da extrema-direita do convívio carcerário.
O ministro Alexandre de Moraes analisará a solicitação após os prazos de manifestação das partes. A expectativa é que o rigor técnico e a manutenção da legalidade prevaleçam, uma vez que a Polícia Federal já atestou a viabilidade da manutenção de Bolsonaro na Papudinha sem prejuízo à sua saúde. O caso simboliza a resistência de uma elite política que, mesmo diante de crimes graves contra a Constituição, busca atalhos jurídicos para não cumprir a sentença imposta pelo Poder Judiciário em um processo democrático e transparente.
A sociedade brasileira acompanha com atenção o desfecho de mais esse capítulo da responsabilização dos golpistas de 8 de janeiro e seus mentores. A manutenção de Bolsonaro em regime fechado é vista por juristas e movimentos sociais como um marco necessário para o fim da impunidade no Brasil. Enquanto a defesa foca em detalhes como o uso de equipamentos de apneia e dietas específicas, o país foca na reparação histórica e na garantia de que ninguém, nem mesmo um ex-presidente, esteja acima da lei ou receba tratamento privilegiado após tentar destruir a democracia.
Com informações do DCM
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