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O governador Tarcísio de Freitas deu um golpe de mestre na ala extremista do bolsonarismo ao impor Alex Madureira como novo líder da bancada do PL na Assembleia Legislativa de São Paulo. A decisão é uma derrota direta e amarga para o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que tentava desesperadamente emplacar o radical Gil Diniz, o "Carteiro Reaça". Ao escolher Madureira, um egresso do PSD de Gilberto Kassab e fiel aliado de Valdemar da Costa Neto, Tarcísio sinaliza que não aceitará as rédeas da prole de Jair Bolsonaro em sua base governista, priorizando o diálogo com o centro e a estabilidade política.
A escolha de Alex Madureira é o ápice de um isolamento planejado contra Eduardo Bolsonaro dentro do próprio estado. Madureira, que é pastor da Assembleia de Deus, nunca fez parte do círculo íntimo do filho "03" e sempre manteve uma postura pragmática, típica do "centrão" que o clã Bolsonaro costumava criticar antes de se tornar refém dele. Relator do Orçamento por escolha de Tarcísio, o novo líder do PL representa o prestígio que o governador dá ao partido, mas sem conceder um milímetro de poder à ala ideológica e barulhenta ligada aos herdeiros do ex-presidente preso.
Enquanto Eduardo Bolsonaro se escondia nos Estados Unidos durante parte do mandato, Alex Madureira consolidava sua força ao lado de Michelle Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto. O deputado foi o anfitrião de Michelle na Alesp e em diversos eventos partidários, momentos em que Eduardo e seus aliados radicais foram sistematicamente ignorados ou sequer convidados. Essa aproximação estratégica com a ex-primeira-dama serviu para criar uma blindagem evangélica ao redor de Tarcísio, esvaziando a narrativa de Eduardo como único representante dos valores conservadores em São Paulo.
O histórico de Madureira revela um político experiente em navegar nas estruturas de poder sem os arroubos autoritários da família Bolsonaro. Com passagens estratégicas pelo governo municipal e estadual, ele assumiu o comando de frentes parlamentares fundamentais, do agronegócio à frente evangélica, sempre com a benção de Tarcísio. Essa onipresença transformou o deputado no interlocutor informal do governo com as igrejas, ocupando o espaço que os filhos de Bolsonaro acreditavam ser propriedade hereditária da família, mas que agora pertence a quem realmente trabalha pela articulação política.
A tensão entre o novo líder e o clã ficou evidente quando Eduardo Bolsonaro chamou Valdemar da Costa Neto de "canalha" em praça pública. No mesmo período, Madureira fez questão de homenagear Valdemar, deixando claro que sua lealdade está com a direção do partido e com o Palácio dos Bandeirantes, e não com os caprichos da prole bolsonarista. Para Tarcísio, manter Madureira na liderança é garantir que a maior bancada da Alesp não seja usada como palco para as loucuras golpistas ou ataques infantis que marcam a atuação internacional de Eduardo.
Em um ano decisivo para as pretensões eleitorais, Tarcísio de Freitas mostra que seu projeto de poder passa longe da submissão aos filhos do ex-presidente. Ao escantear Eduardo e seus aliados "reaças", o governador paulista constrói uma direita que, embora conservadora, prefere o orçamento e a gestão ao barulho das redes sociais. O isolamento de Eduardo Bolsonaro em São Paulo é a prova de que até mesmo os aliados de ontem já perceberam que o futuro da política brasileira não comporta mais a incompetência e o radicalismo tóxico da família que tentou destruir a democracia.
Com informações do DCM
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