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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, a terceira fase da Operação Barco de Papel, revelando cenas de desespero por parte de investigados por crimes contra o sistema financeiro. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um edifício de luxo em Balneário Camboriú, Santa Catarina, um dos ocupantes do imóvel arremessou uma mala recheada de dinheiro vivo pela janela do 30º andar. Os agentes recuperaram R$ 429 mil em espécie que foram espalhados pelo chão, evidenciando a tentativa deliberada de obstrução de justiça e ocultação de provas.
A ofensiva é um desdobramento das investigações sobre irregularidades gravíssimas na gestão do RioPrevidência, o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. O foco da PF são as operações realizadas entre o final de 2023 e meados de 2024, quando o fundo investiu cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master, instituição que foi recentemente liquidada pelo Banco Central. Além da vultosa quantia em dinheiro recuperada após a "mala voadora", os policiais apreenderam dois veículos de luxo e smartphones nos municípios catarinenses de Balneário Camboriú e Itapema.
O esquema já levou à prisão, na semana passada, do ex-presidente do RioPrevidência, Deivis Marcon Antunes. Ele foi capturado pela Polícia Federal e pela PRF em Itatiaia (RJ), logo após desembarcar de uma viagem aos Estados Unidos. Deivis é suspeito de liderar as manobras para esconder provas e dificultar o trabalho dos investigadores. Esta nova etapa da operação busca localizar bens e valores que teriam sido retirados ilegalmente do apartamento do principal alvo logo após a primeira fase, deflagrada em janeiro deste ano.
A Operação Barco de Papel expõe como os recursos destinados à aposentadoria de milhares de servidores fluminenses foram colocados em risco em operações financeiras suspeitas. O investimento de quase R$ 1 bilhão em uma instituição financeira que acabou liquidada levanta alertas sobre a governança do fundo durante o período investigado. As ordens judiciais expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro reforçam que a tentativa de "jogar o dinheiro pela janela" não impedirá o avanço da apuração sobre a responsabilidade de gestores e operadores financeiros.
Enquanto a extrema-direita e setores ligados ao mercado financeiro tentam normalizar relações promíscuas entre fundos públicos e bancos privados, a atuação da Polícia Federal reafirma o compromisso com a proteção do patrimônio do povo. A apreensão de carros importados e grandes somas de dinheiro em espécie em endereços de luxo no litoral catarinense é o retrato fiel de uma elite que se locupleta com o suor dos trabalhadores. A investigação agora entra em uma fase crucial para identificar todos os beneficiários do esquema e garantir o ressarcimento aos cofres da previdência.
O caso segue sob sigilo parcial, mas os indícios de lavagem de dinheiro e organização criminosa são contundentes. A população do Rio de Janeiro, que já sofreu com diversas crises fiscais, assiste estarrecida a mais uma tentativa de saque aos seus direitos previdenciários. A Polícia Federal mantém as diligências para rastrear a origem e o destino dos recursos investidos no Banco Master, assegurando que as táticas de ocultação — por mais cinematográficas que sejam — não fiquem impunes diante da lei brasileira.
Com informações do G1
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