363 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A busca por uma "aventura militar" que não encontraram no Brasil tem se transformado em tragédia para dezenas de brasileiros no Leste Europeu. Dados oficiais encaminhados pelas autoridades da Ucrânia ao governo brasileiro revelam que ao menos 22 compatriotas já perderam a vida desde o início da invasão russa, em 2022. O balanço diplomático é ainda mais sombrio ao registrar 44 brasileiros desaparecidos, cujos destinos permanecem incertos em meio aos escombros de cidades como Kupiansk. Entre as vítimas mais recentes está o paraense Adriano Silva, morto durante um ataque de artilharia enquanto atuava como voluntário nas forças ucranianas.
O caso do baiano Redney Miranda ilustra o abismo entre o desejo de servir e a realidade brutal do front. Movido por filmes de guerra e pela frustração de não ter ingressado no Exército brasileiro, ele passou quase seis meses enfrentando o horror das trincheiras. Redney retornou ao Brasil em janeiro com 28 quilos a menos, estilhaços de granada no corpo e o trauma de ter visto 17 colegas morrerem — incluindo o paranaense Wagner, atingido por um drone após sair de uma trincheira sem equipamento. O sobrevivente relatou que, em momentos de desespero, ele e outros voluntários precisaram lutar contra os próprios ucranianos para conseguir abandonar as posições e fugir da linha de frente.
A fome e a precariedade são táticas de guerra que atingem em cheio os voluntários estrangeiros. Redney descreveu dias em que a única nutrição vinha do tempero de macarrão instantâneo, vivendo no que sua filha pequena chamava de "buraco". Enquanto o governo ucraniano afirma que não recruta brasileiros ativamente e que os voluntários assumem os mesmos riscos de um cidadão local, o Itamaraty tenta monitorar o paradeiro dos que ainda não deram notícias. Para muitas famílias, como a de Redney, o silêncio de meses é preenchido pelo medo constante de que o "sonho" militar tenha terminado em uma vala comum.
O custo humano global do conflito é sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. Estudos independentes e relatórios do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estimam que as baixas totais — somando mortos, feridos e desaparecidos de ambos os lados — podem atingir a marca de 2 milhões até junho de 2026. Somente o exército russo já teria sofrido cerca de 1,2 milhão de baixas, perdendo mais de 325 mil soldados. Do lado ucraniano, as mortes de militares são estimadas em até 140 mil, provando que o conflito ordenado pelo Kremlin consome vidas em escala industrial por ganhos territoriais mínimos.
A propaganda de guerra e a romantização do combate em redes sociais continuam a atrair brasileiros interessados em "treinamento real" em cenários de alta intensidade. No entanto, o que encontram é uma guerra de atrito, onde a tecnologia de drones e a artilharia pesada eliminam qualquer chance de heroísmo individual. A realidade de quem volta é marcada por sequelas físicas e psicológicas, além da dificuldade de retomar a rotina após vivenciar o colapso moral e estrutural de um país invadido. A embaixada da Ucrânia reforça que a adesão é voluntária, mas as consequências são permanentes e, muitas vezes, fatais.
A resistência russa em admitir os números reais de baixas e a subnotificação de mortes no lado ucraniano dificultam a compreensão total da catástrofe. Enquanto o governo brasileiro tenta prestar assistência consular, a lista de óbitos e desaparecidos continua a crescer. O retorno de sobreviventes como Redney serve de alerta para os perigos de se aventurar em uma guerra sem o amparo de instituições nacionais e sob o comando de exércitos estrangeiros. A "adrenalina" buscada no início da jornada acaba substituída pelo alívio amargo de estar vivo, enquanto dezenas de outros brasileiros permanecem como estatísticas silenciosas em solo estrangeiro.
Com informações do DCM
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