233 visitas - Fonte: Plantão Brasil
Um estudo técnico do Ipea, divulgado nesta terça-feira, traz um balde de água fria nos argumentos alarmistas do empresariado ao comprovar que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais é plenamente absorvível pela economia brasileira. A análise revela que, em setores vitais como a indústria e o comércio, o aumento no custo operacional seria insignificante, ficando abaixo de 1%. O levantamento desmistifica o medo de demissões em massa, comparando o impacto da medida a reajustes históricos e bem-sucedidos do salário mínimo realizados nos governos progressistas, que geraram renda sem prejudicar o nível de emprego.
A pesquisa detalha que a manutenção do salário com menos horas trabalhadas representa, na prática, uma valorização do custo da hora de trabalho em 7,84%. No entanto, como o peso da mão de obra é apenas uma parte do custo total das empresas, o impacto final é diluído. Especialistas do Ipea reforçam que os empresários têm plenas condições de reagir a essa mudança investindo em produtividade ou, melhor ainda, contratando novos trabalhadores para suprir a carga horária, o que impulsionaria a geração de empregos formais no país.
Atualmente, o Brasil ainda convive com a herança pesada da escala 6x1, que castiga cerca de 31,8 milhões de trabalhadores com a jornada de 44 horas. O estudo aponta que essa carga horária exaustiva está diretamente ligada à baixa remuneração e à menor escolaridade: quem trabalha 44 horas recebe, em média, apenas 42,3% do salário de quem já atua em jornadas de 40 horas. Essa disparidade evidencia que a jornada estendida é uma ferramenta de manutenção da desigualdade social, penalizando justamente a base da pirâmide laboral.
O recorte social do Ipea também joga luz sobre a situação das mulheres e dos pequenos negócios. Nas microempresas, a incidência de jornadas exploratórias chega a quase 89%, mostrando onde o arrocho sobre o trabalhador é mais severo. Além disso, a redução da jornada é vista como uma medida essencial de saúde pública e bem-estar, permitindo que a classe trabalhadora tenha mais tempo para o autocuidado e para a vida familiar, diminuindo a rotatividade e as doenças ocupacionais causadas pelo excesso de labuta.
Embora setores específicos como vigilância e limpeza possam sentir um impacto mais direto — chegando a 6,6% no custo operacional —, o estudo enfatiza que isso não é sentença de desemprego, mas sim um convite à modernização das relações de trabalho. A experiência da Constituição de 1988 já provou que o Brasil pode avançar em direitos sociais sem colapsar a produção. Pelo contrário, a valorização de quem produz a riqueza do país é o motor para um mercado de consumo interno mais robusto e justo.
Em suma, a nota técnica do Ipea sustenta que a redução da carga horária é uma questão de decisão política e justiça social. Ao equilibrar o custo econômico moderado com o ganho imenso na qualidade de vida de mais de 31 milhões de brasileiros, o governo reafirma que o progresso econômico não precisa, e não deve, ser feito às custas do esgotamento físico e mental do trabalhador. É hora de enterrar o modelo de exploração herdado do passado e avançar rumo a uma jornada mais humana e racional.
Com informações do Brasil 247
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