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O plano de paz anunciado nesta segunda-feira (29) por Donald Trump e Benjamin Netanyahu na Casa Branca soa, na prática, como a rendição dos palestinos diante de Israel. A proposta desconsidera inclusive a Autoridade Palestina de Mahmoud Abbas, em Ramallah, vista há anos como colaboracionista com Tel Aviv por atuar em sintonia com os serviços de segurança israelenses e sob financiamento europeu.
O documento prevê a desmilitarização total de Gaza, que seria administrada por um “Conselho da Paz” sem qualquer legitimidade popular. Entre os nomes, aparece Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, figura marcada historicamente pela cumplicidade ocidental com a ocupação. Sob o Mandato Britânico, iniciado em 1920 e encerrado em 1948, ocorreu a Nakba de 1947, quando milhares de palestinos foram expulsos de suas terras para dar lugar ao Estado de Israel.
Segundo Trump, o plano conta com apoio de monarquias do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar, além de Indonésia e Paquistão. O republicano chegou a sugerir que até o Irã poderia aderir. Blair formaria um governo de “especialistas palestinos” espalhados pelo mundo, sem vínculo real com o sofrimento da população sitiada.
Pelo acordo, Israel libertaria 250 presos condenados à prisão perpétua e outros 1.700 detidos após os ataques de 7 de outubro de 2023. Combatentes do Hamas que aceitarem entregar as armas e declarar “coexistência pacífica” teriam anistia. Em troca, Tel Aviv manteria controle absoluto do perímetro de Gaza, área de apenas 45 mil metros quadrados.
Trump insistiu em reafirmar Jerusalém como capital indivisível de Israel, negando o direito histórico dos palestinos à cidade e também ao retorno às terras ocupadas. A Casa Branca frisou que “ninguém será forçado a deixar Gaza”, mas o plano ignora o cerne da questão: o direito de autodeterminação palestino.
Se implementado, o projeto representará a facada final contra o movimento de libertação da Palestina, sacramentando décadas de traições regionais e o peso de regimes árabes dispostos a negociar os direitos palestinos em troca de acordos com Tel Aviv e Washington.
Com informações da Fórum
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