1153 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O cheiro de derrota e o peso das algemas parecem estar afugentando até os aliados mais próximos de Jair Bolsonaro. Em Pernambuco, o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, tomou a decisão drástica de excluir o ex-presidente e seu filho, Flávio Bolsonaro, da propaganda institucional do partido no rádio e na TV. O movimento é um choque para quem, há pouco tempo, usava a imagem do ex-mandatário como único passaporte eleitoral. Agora, com Bolsonaro devidamente encarcerado e o clã mergulhado em escândalos, Ferreira prefere o silêncio e o apagamento estético da família golpista.
Nas redes sociais, a metamorfose de Anderson Ferreira é evidente. O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes abandonou o tom belicoso e as referências diretas ao "mito" para adotar um discurso genérico sobre "equilíbrio" e "democracia". É uma tentativa desesperada de se desvincular da imagem de um líder condenado a 27 anos de prisão por tentar destruir o Estado Democrático de Direito. Enquanto o sanfoneiro Gilson Machado insiste em afundar junto com o barco bolsonarista, Ferreira tenta limpar a própria imagem para viabilizar sua candidatura ao Senado em outubro.
A estratégia de esconder Flávio Bolsonaro é ainda mais emblemática, já que o senador foi o nome imposto pelo pai para a disputa presidencial. Anderson Ferreira percebeu o que os dados já mostram: o sobrenome Bolsonaro tornou-se um fardo tóxico, capaz de contaminar qualquer projeto político sério. Ao focar em sua gestão passada e em termos como "confiança no futuro", o líder do PL pernambucano sinaliza que a "lealdade" ao capitão tem limites, e esses limites terminam onde começam as chances de uma derrota acachapante nas urnas.
Dentro do PL, a movimentação de Anderson causa desconforto na ala mais radical, liderada pelo deputado Coronel Alberto Feitosa. A disputa interna por uma única vaga ao Senado em Pernambuco está expondo as entranhas de um partido que nunca teve ideologia, mas sim um projeto de poder baseado no oportunismo. O fato de Anderson Ferreira ignorar o "cabo eleitoral" que o sustentou na última eleição para o governo mostra que o bolsonarismo, enquanto força aglutinadora, está morrendo por inanição e falta de caráter de seus próprios membros.
O isolamento de Jair Bolsonaro na sede da Polícia Federal em Brasília reflete-se agora nos estados. Sem a caneta na mão e sem o controle das redes sociais — que agora são dominadas por vozes progressistas e pela verdade dos fatos —, o ex-presidente assiste à sua própria "desbolsonarização" forçada pelos próprios correligionários. Anderson Ferreira quer o voto do conservador, mas não quer a foto do presidiário, um jogo cínico que tenta enganar o eleitor pernambucano que sabe muito bem quem ele serviu nos últimos anos.
O cenário para 2026 em Pernambuco desenha-se como uma fuga em massa da extrema-direita em direção a uma suposta "moderação". No entanto, o apagamento de Bolsonaro das propagandas não apaga o histórico de conivência de Anderson Ferreira com os ataques à democracia. Enquanto o presidente Lula lidera as pesquisas com folga e reconstrói o Nordeste, o PL local tenta se esconder atrás de frases prontas, torcendo para que o povo esqueça quem realmente são os responsáveis pelo desastre que o país viveu recentemente.
Assista ao vídeo abaixo:
?? AGORA: Anderson Ferreira esconde Bolsonaro de propaganda política do PL em Pernambuco
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) January 2, 2026
Candidato a governador nas últimas eleições tendo como principal cabo eleitoral o ex-presidente Jair Bolsonaro, Anderson Ferreira (PL), simplesmente o escondeu da peça institucional do PL.… pic.twitter.com/7uUWsbewRV