Operação Fluxo Oculto mira lavagem de bilhões do PCC em fintechs da Faria Lima

Portal Plantão Brasil
28/5/2026 18:41

Operação Fluxo Oculto mira lavagem de bilhões do PCC em fintechs da Faria Lima

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O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Receita Federal deflagraram a Operação Fluxo Oculto, uma nova fase da Operação Carbono Oculto. A ofensiva mira diretamente a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e o uso de fintechs sediadas na Avenida Brigadeiro Faria Lima, coração financeiro da capital paulista, para ocultar dinheiro de origem ilícita. Ao todo, a força-tarefa mobilizou agentes para cumprir 59 mandados de busca e apreensão espalhados por cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

As investigações apontam que, mesmo após as ações iniciais de fiscalização, o grupo criminoso continuou operando ativamente para lavar dinheiro, sonegar impostos e fraudar combustíveis com a utilização de nafta petroquímica, um solvente usado de forma irregular para adulterar os produtos. A estimativa da Receita Federal é de que a fraude tenha causado um prejuízo de pelo menos R$ 200 milhões em tributos sonegados em apenas dois anos. O esquema permitia que a organização obtivesse lucros elevados na cadeia produtiva e, ao mesmo tempo, reinserisse o capital no sistema financeiro legal por meio de um sofisticado núcleo de instituições de pagamento.

O Ministério Público identificou que os investigados passaram a concentrar as movimentações de dezenas de postos em contas unificadas para tentar despistar as autoridades. Em um dos casos monitorados, a contabilidade de 56 estabelecimentos diferentes operava de maneira centralizada em uma única conta de pagamento. A rede contava ainda com a abertura de empresas em nome de parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até de indivíduos que se encontram presos. Três das seis novas fintechs mapeadas pela fiscalização informaram movimentações que somam cerca de R$ 8 bilhões no intervalo de um ano.

Além do trânsito de valores em espécie por meio de depósitos fracionados, a força-tarefa mapeou transações que alcançam o montante de R$ 365 milhões em criptoativos. Essas operações eletrônicas eram realizadas com o suporte de empresas especializadas suspeitas de prestar serviços de lavagem de capitais para grandes facções criminosas. Quatro fundos de investimento com patrimônio líquido somado de R$ 205 milhões também entraram na mira da Justiça devido ao crescimento patrimonial atípico superior a 200% registrado no período em que o desvio de combustíveis estava no auge.

A liderança do esquema é atribuída a empresários e operadores que já se encontram foragidos da Justiça desde as primeiras fases do inquérito institucional. De acordo com os promotores do Gaeco, os articuladores tentaram fechar acordos de colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo, mas as propostas foram rejeitadas porque os investigados omitiram dados cruciais sobre a estrutura de lavagem e tentaram blindar o verdadeiro destino do patrimônio. O avanço da Operação Fluxo Oculto busca congelar esses ativos ocultos e desmantelar a engenharia corporativa que dá sustentação econômica às atividades marginais.

Com informações do DCM

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