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O cerco está se fechando de vez contra os operadores financeiros ligados à extrema-direita. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República impuseram uma forte resistência contra a nova tentativa de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo fontes ligadas às investigações, o material complementar entregue pela defesa foi considerado fraco e sem impacto, pois não trouxe nenhum elemento de fato inédito. Para os investigadores, o bilionário continua muito mais empenhado em criar justificativas para esconder as falcatruas de seus aliados políticos do que em revelar os crimes reais que ajudou a patrocinar.
Mesmo após a rejeição humilhante da primeira versão de seu acordo no mês passado, Vorcaro tentou uma cartada final ao incluir em seus anexos menções a repasses financeiros para o senador Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, além de detalhes sobre o financiamento de Dark Horse, a controversa cinebiografia destinada a fabricar uma imagem heróica para o ex-presidente inelegível. No entanto, a PF logo percebeu a manobra: as informações fornecidas já eram de pleno conhecimento das autoridades e foram moldadas apenas para tentar livrar a cara de figurões da República, fingindo que as transferências milionárias e o uso de jatinhos privados eram apenas relações puramente cordiais e de amizade.
A gravidade do escândalo ganha contornos ainda mais assustadores com o avanço da perícia nos oito telefones celulares apreendidos com o banqueiro. As análises preliminares revelam um submundo de crimes que ultrapassa em muito as fraudes econômicas e o rombo bilionário deixado na instituição de crédito. As mensagens capturadas apontam para a existência de uma verdadeira organização criminosa envolvida em corrupção ativa e, de forma estarrecedora, no financiamento de uma milícia privada armada, utilizada pelo banqueiro para espionar autoridades, roubar informações sigilosas de investigações e promover ataques coordenados e ameaças contra seus adversários políticos e comerciais.
Desesperado com a perspectiva de continuar na prisão e vendo o prazo final para salvar sua pele se esgotar, o banqueiro tentou usar o peso do seu talão de cheques e concordou em elevar a proposta de ressarcimento aos cofres públicos de 40 bilhões para impressionantes 60 bilhões de reais. Contudo, as autoridades federais deixaram claro que a segurança pública e a lisura da Justiça não aceitarão uma colaboração pela metade e que dinheiro nenhum comprará a blindagem de criminosos de colarinho branco. Agora, caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, dar o veredito definitivo sobre o destino do banqueiro que tentou proteger a cúpula do bolsonarismo e acabou se afundando junto com eles.
Com informações do g1
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