Versões contraditórias sobre emenda de R$ 850 mil para Dark Horse dificultam investigação

Portal Plantão Brasil
25/8/2026 11:47

Versões contraditórias sobre emenda de R$ 850 mil para Dark Horse dificultam investigação

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A teia de suspeitas de irregularidades envolvendo o uso de recursos públicos e a extrema direita ganhou novos desdobramentos na capital paulista. O Instituto Conhecer Brasil, entidade comandada por Karina Ferreira Gama — produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro —, apresentou versões contraditórias à Prefeitura de São Paulo para tentar justificar o destino de R$ 850 mil recebidos por meio de emendas parlamentares. A área técnica da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia registrou uma sucessão de inconsistências, ausência de comprovações e descumprimento de obrigações contratuais pela organização bolsonarista.

As apurações sobre os convênios ganharam força em meio a investigações conduzidas pela Polícia Civil e autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que permitiu o acesso da Polícia Federal aos documentos da entidade. Há suspeitas de que verbas de contratos milionários para a manutenção de redes de wi-fi na periferia da capital tenham sido desviadas para bancar a produção audiovisual sobre o ex-presidente. Enquanto isso, na prestação de contas de eventos pedagógicos, a ONG do clã bolsonarista apresentou notas fiscais emitidas em nome de terceiros e repasses para empresas ligadas a conselheiros da própria entidade.

Em um dos convênios analisados, referente a um seminário educacional financiado com R$ 750 mil de emenda do vereador André Santos do Republicanos, os técnicos da prefeitura encontraram metas fantasma e falta de comprovação de público. O instituto tentou comprovar o alcance do projeto em uma plataforma virtual por meio de uma simples captura de tela contendo poucas visualizações e admitiu não possuir dados detalhados. Para agravar o quadro de desleixo com o dinheiro público, a única prova enviada para demonstrar a realização de uma premiação oficial consistia em arquivos de vídeo com o áudio completamente corrompido.

O segundo contrato investigado, no valor de R$ 100 mil, expôs ainda mais a bagunça administrativa e o desrespeito às normas públicas por parte da entidade ligada aos aliados de Jair Bolsonaro. Inicialmente, a direção da ONG alegou incapacidade de movimentar a conta oficial do projeto e declarou ter quitado os fornecedores com recursos próprios; posteriormente, mudou a versão e afirmou que os prestadores de serviço continuavam sem receber. Além disso, a quantia de R$ 17 mil destinada ao transporte de participantes foi alterada ilegalmente e sem autorização prévia para custear serviços de comunicação e audiovisual.

Mesmo diante do histórico de cobranças repetidas, atrasos deliberados, alteração irregular de rubricas e falta de documentos financeiros básicos, a secretaria municipal limitou-se a sugerir meras advertências formais à organização. A postura leniente da gestão paulistana contrasta com a gravidade dos fatos apontados pelos próprios auditores, que registraram como a conduta da entidade dificultou a fiscalização e a transparência do emprego das verbas parlamentares.

A defesa da produtora Karina Ferreira Gama sustentou que o instituto tem apresentado os esclarecimentos dentro dos trâmites administrativos da administração municipal. Já a Prefeitura de São Paulo declarou que as análises sobre os contratos seguem em andamento nas instâncias técnicas, alegando ser prematuro cravando conclusões definitivas antes do encerramento formal dos processos.

Com informações do DCM

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