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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a administração estadunidense agendaram para a próxima semana a retomada das negociações formais a respeito das tarifas impostas sobre as exportações nacionais. O encontro virtual reunirá o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, além de integrantes do Itamaraty. A reunião busca reabrir o canal de diálogo sobre o chamado tarifaço promovido pela Casa Branca contra os produtos de origem brasileira.
A definição da data ocorreu em contato direto promovido entre o ministro brasileiro e o representante comercial estadunidense, dependendo apenas do ajuste final de horários entre as agendas oficiais. A reabertura dos canais de negociação foi viabilizada após uma conversa telefônica de mais de uma hora mantida em tom cordial entre o presidente Lula e o governante estadunidense Donald Trump. Logo após o diálogo entre os chefes de Estado, o ministério brasileiro recebeu a sinalização de Washington para estruturar as conversas técnicas.
As tratativas diplomáticas e comerciais entre os dois países permaneciam paralisadas desde meados de julho, momento que antecedeu o anúncio da primeira taxa de 25% aplicada pelo governo estadunidense sobre bens brasileiros. Na sequência, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi imposta pelos Estados Unidos, aprofundando o impasse e ampliando os desafios operacionais para as empresas nacionais que dependem do mercado consumidor daquele país.
Diante do cenário, o ministro Márcio Elias Rosa sinalizou em entrevista que as medidas tarifárias adotadas por Washington são tratadas como consolidadas pela administração estadunidense, tornando improvável um recuo integral da medida. Por essa razão, a estratégia do governo brasileiro concentrará esforços na negociação para incluir um número maior de setores produtivos na lista de exceções, contando com a articulação direta exercida pelo presidente Lula para mitigar prejuízos ao parque fabril do país.
O impacto das restrições impostas pelos Estados Unidos atinge uma parcela expressiva do setor produtivo do Brasil. Mapeamentos realizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que cerca de 8,6 mil empresas instaladas no país estão expostas aos efeitos das barreiras. O levantamento demonstra que 47,3% de tudo o que o Brasil exporta para o mercado estadunidense passou a ser submetido a algum grau de sobretaxa, enquanto 52,7% da pauta permanece isenta das alíquotas extraordinárias.
A reunião prevista para os próximos dias marca o primeiro passo formal de uma complexa mesa de negociações entre Brasília e Washington. A meta da diplomacia comercial brasileira é proteger a competitividade das empresas atingidas, assegurando que o diálogo soberano e pragmático evite novos desgastes à economia nacional e às cadeias produtivas do país.
Com informações do Brasil 247
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