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18/9/2020 11:11

Secom e Damares na mira da Polícia Federal em inquérito dos atos antidemocráticos

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2295 visitas - Fonte: GGN

A Secretaria de Comunicação vinculada à Presidência de Jair Bolsonaro e o ministério de Damares Alves entraram na mira da Polícia Federal, no âmbito do inquérito que apura o financiamento à rede de bolsonaristas que promovem ou estimulam a realização de atos antidemocráticos.

Segundo informações de O Globo, a delegada Denisse Dias Ribeiro – que chegou a ser criticada por proteger o governo Bolsonaro de uma operação que poderia “desestabilizar as instituições” – escreveu no relatório parcial da PF que é preciso apurar se a Secom investiu dinheiro público em anúncios contratados ou programáticos em sites bolsonaristas.


Além disso, ela anotou que é preciso apurar se os funcionários da Secom agiram por má fé, omissão ou por identificação com o viés ideológico dos sites que atacam o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. As informações sobre o uso de publicidade oficial nesses portais foi repassada à PF pela CPMI das Fake News.

A delegada Denisse escreveu no relatório:

“A investigação tem o objetivo de checar se essa ocorrência se deu por culpa ou por ação ou omissão deliberada de permitir a adesão da publicidade do governo federal, e a consequente monetização, ao conteúdo propagado.”

“Outro ponto a ser elucidado (e que complementarão a análise do material já em curso) é se essa conduta ocorreu por vínculos pessoais/ideológicos entre agentes públicos e os produtores de conteúdo ou mesmo por articulação entre ambos”.


Os anúncios na internet podem ser divididos em dois grandes grupos: aqueles que a Secom contrata diretamente e aqueles difundidos via Google Ads, que é a publicidade programática. No último caso, há recursos para que uma empresa – ou, no caso, a Secom – não gaste dinheiro com sites considerados impróprios. A PF vai apurar se esses mecanismos foram usados.

“Não há informações que indiquem se os agentes públicos responsáveis, dolosa ou culposamente, criaram critérios objetivos (palavras-chave, filtros ou bloqueios) que evitassem que a propaganda do governo federal fosse veiculada e monetizasse canais que difundem ideias contrarias às professadas pelo Estado democrático de Direito, permitindo (i.e., não impedindo), com tal prática, que ocorresse o repasse de recursos públicos com a intermediação de ferramentas tecnológicas a tais canais das redes sociais”, diz o relatório".
DAMARES ALVES


O relatório da delegada Denisse ainda diz que é necessário aprofundar as investigações sobre bolsonaristas que participaram ou incentivaram os ataques às instituições e suas relações com a ministra das Mulheres, Damares Alves.

Damares é “praticamente mãe” de Sara Giromini, mais conhecida como Sara Winter, que é investigada no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal, e chegou a ser presa por ameaçar ministros do STF com sua militância no grupo “300 do Brasil”.

Sara tinha um cargo na Pasta de Damares, assim como Sandra Mara Volf Pedro Eustáquio, mulher do blogueiro Oswaldo Eustáquio, também investigado.

“Além delas, Renan Sena, que é investigado por envolvimentos nos atos antidemocraticos, foi terceirizado de uma empresa prestadora de serviços para o mesmo ministério”, diz O Globo.

Procurada, a Secom não quis responder. Em outras oportunidades, o setor informou que não fará “censura” nos anúncios do Google Ads. Já a pasta de Damares afirmou que Sara Winter e Renan Sena, quando indiciados, “já não pertenciam ao quadro” do Ministério.

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