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O presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou publicamente a agressão estadunidense contra a Venezuela e comemorou o que chamou de "queda" de Nicolás Maduro, afirmando que seu país está pronto para apoiar uma transição política em Caracas. Em uma declaração carregada de retórica extremista, Milei classificou o governo venezuelano como uma "ditadura narcoterrorista e sangrenta" e afirmou que o momento exige uma escolha sem "meias tintas": "Ou se está do lado do bem, ou se está do lado do mal". A manifestação foi divulgada sob o título "Princípio de revelação", no qual Milei afirma que dias como o de hoje expõem "do que são feitos alguns dirigentes e formadores de opinião", posicionando de um lado o que chama de "democracia" e "defesa da vida, da liberdade e da propriedade", e do outro "os cúmplices" do que descreve como "ditadura narcoterrorista".
Em sua visão maniqueísta que dispensa análise geopolítica ou consideração pelo direito internacional, Milei declarou: "Celebramos a queda do ditador narcoterrorista Maduro", anunciando em seguida disposição ativa para interferir no processo político venezuelano: "A Argentina está pronta para ajudar na transição para uma Venezuela livre, democrática e próspera". O texto termina com o slogan característico de Milei, "Viva la libertad, carajo", usado por ele como marca de mobilização política e como instrumento retórico para enquadrar adversários como inimigos morais, numa clara tentativa de justificar eticamente uma invasão militar que já causou vítimas civis e representa grave violação da soberania venezuelana.
A declaração de Milei amplia o coro internacional que tenta legitimar a agressão estadunidense à Venezuela como ato de "salvação", promovendo uma leitura simplista que ignora completamente as consequências humanitárias, o histórico de intervencionismo norte-americano na região e os interesses econômicos por trás da ofensiva - especialmente o controle sobre as maiores reservas de petróleo do mundo. Ao oferecer apoio explícito à transição, Milei sinaliza alinhamento total à estratégia dos Estados Unidos e sugere que a Argentina pretende atuar como parceira regional na reorganização política venezuelana sob influência externa, traindo a tradição latino-americana de defesa da autodeterminação dos povos e da soberania nacional. Esta posição subserviente contrasta fortemente com as condenações veementes do presidente Lula e de outros líderes regionais, que reconhecem na ação militar norte-americana o retorno da "diplomacia das canhoneiras" e uma ameaça direta à paz e estabilidade de toda a América do Sul.
PRINCIPIO DE REVELACIÓN
— Javier Milei (@JMilei) January 3, 2026
En días históricos como el de hoy podemos ver realmente de qué están hechos algunos dirigentes y formadores de opinión.
De un lado está la democracia, la defensa de la vida, la libertad y la propiedad. Esos valores que muchos dicen defender pero sólo…