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A tentativa do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de empunhar a bandeira da ética e se distanciar dos escândalos de corrupção do clã Bolsonaro cobrou um preço alto e imediato dentro de sua própria legenda. Em um movimento que evidencia a forte fratura interna e o pragmatismo eleitoral, Zema foi oficialmente desconvidado do grande encontro partidário do Novo em Santa Catarina, agendado para o início de julho. A decisão de barrar o mineiro partiu de uma articulação direta de mandatários e pré-candidatos catarinenses que, temendo represálias e a perda do apoio de eleitores radicais, optaram por isolar o ex-governador para blindar a aliança local que a sigla mantém com o Partido Liberal (PL) do governador Jorginho Mello.
O estopim para a punição a Zema foi sua contundente declaração dada na última sexta-feira, quando comentou o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal por fraudes financeiras e desvios de R$ 12 bilhões no Banco Master. Ao analisar os áudios e comprovantes que ligam o filho "zero um" de Jair Bolsonaro a repasses clandestinos de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, Zema disparou que "quem anda com bandido merece ser visto com cautela". A fala provocou a fúria imediata da família Bolsonaro: o ex-deputado foragido Eduardo Bolsonaro reagiu com insultos de baixo calão, chamando a postura do mineiro de "vagabunda" e exigindo o rompimento nacional entre PL e Novo.
Ao ceder à pressão dos Bolsonaro e retirar o convite de sua principal liderança nacional, o diretório do Novo em Santa Catarina escancara uma submissão constrangedora ao bolsonarismo. Para garantir a sobrevivência de acordos regionais — como a costura que envolve a pré-candidatura de Adriano Silva ao governo catarinense —, a ala sulista do partido preferiu silenciar as críticas legítimas aos desvios éticos do clã. O episódio deixa Romeu Zema em uma situação de profundo isolamento político, mostrando que, no atual xadrez da direita brasileira, apontar os crimes e as ligações perigosas da família Bolsonaro com o submundo das fraudes bilionárias virou motivo de censura dentro de sua própria casa.
Com informações do Metrópoles
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