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7/12/2014 19:21

FICHA DE LOBÃO: 132 PROCESSOS, MAIS DE 20 PRISÕES E EX-ASSESSOR DE TRAFICANTES

EM ENTREVISTA,LOBÃO CONFESSA: “EU DAVA ASSESSORIA LOGÍSTICA AOS TRAFICANTES DA CADEIA”

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Há 21 anos, João Luís Woerdenbag Filho, o Lobão, deixava a cela de número 11 da Polinter, local onde ficou preso por quase três meses, após ter sido flagrado com um papelote de cocaína, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Dono de uma extensa ficha criminal, com 132 processos judiciais e mais de 20 prisões, Lobão virou mascote do Comando Vermelho e “dava assessoria de logística aos traficantes da cadeia”, conforme ele mesmo relata.

Hoje, aos 50 anos, o músico ícone da geração rock-’n’-roll da década de 80, trocou o Rio pela capital paulista: “Se São Paulo é o túmulo do samba, o Rio é o túmulo do rock”, diz. No novo endereço, comanda o programa Debate MTV e grava nova atração, com estréia prevista para o próximo dia 18, batizada de Código MTV: a cada semana, Lobão abrirá espaço para duas novas bandas com estilos parecidos mostrarem suas músicas.

Em seu estúdio particular, entre violas, bandolins e violões e às voltas com o movimento sorrateiro de um de seus três gatos, chamado Maria Bonita, o músico conversou com a reportagem de QUEM. Educado e gentil, Lobão destoa, no trato, da imagem do artista polêmico e sem papas na língua. Mas não perde a ocasião: nesta entrevista, critica a bossa nova, fala de drogas, da relação distante com sua única filha, Júlia, de 19 anos, e relembra com certo saudosismo dos tempos de cadeia.

QUEM: Como um carioca como você vive em São Paulo?
LOBÃO: Estou amando. Quando comecei a carreira, no ano de 75, 76, tocando bateria na banda Vímana, numa peça da Marília Pêra, fiquei aqui uns três meses. Mas eu sempre morei no Rio. Estou me sentindo muito em casa, mesmo porque, na verdade, eu já vinha ficando aqui desde 2005, na época do programa Saca-Rolha.

QUEM: E por que saiu do Rio?
L: O principal fator foi ter sentido que a cidade perdeu o tono do rock-’n’- roll. O cenário do rock e tudo que se refere ao gênero estão em São Paulo. Se São Paulo é o túmulo do samba, o Rio é o túmulo do rock (risos).

QUEM: O Rio é também o berço da bossa nova, que agora está fazendo 50 anos. Você curte o gênero?
L: Da minha geração, talvez eu seja o artista que mais teve influência da bossa nova. Acho que a bossa nova é uma língua morta. Eu não acredito na alegria de ninguém que vivencie esse tipo de música e também não posso acreditar que uma pessoa que tem aparelhos sensoriais em algum estado razoável possa achar que aquilo é interessante. Alguma coisa está errada nisso tudo. E, convenhamos, é música de elevador (risos).

QUEM: Em uma entrevista dada em 2002, sobre a volta de bandas da década de 80, você disse que nunca viu alguém se dar bem depois de gravar um acústico da MTV – mas seu disco lhe rendeu o Grammy Latino 2007. Não é uma contradição?
L: Eu sempre falei uma coisa, e é verdade. A única banda que realmente se deu bem, que aproveitou o acústico e se reinventou, foi o Capital Inicial. Se você verificar todos que fizeram o acústico, como o Lulu, os Paralamas, os Titãs, eles alavancaram a carreira, só que no disco seguinte não acontecia nada. Eu sempre falei que o som produzido pelos violões em um acústico tinha som de pato. Até três anos atrás, o processo de gravação era tosco demais. Antes de fazer o acústico, pesquisei pela internet e vi que tinha um equipamento, por sinal muito baratinho, capaz de dar um puta som legal. E pensei: por que não fazer agora um acústico? Vão achar que eu sou contraditório, coisa e tal. Mas houve um fator novo que contribuiu para a criação desse disco. Talvez por isso ele tenha sido tão premiado.

QUEM: Mas quanto vendeu?
L: Muito pouco. Eu nunca vendi discos. Infelizmente, vendi mais discos na época em que estive preso. Vida Bandida vendeu 350 mil cópias – a expectativa era de 2 milhões. Me Chama vendeu 20 mil cópias – esse acústico foi o pior de todos os acústicos da MTV: 20 mil cópias entre CD e DVD. Em termos de vendas, foi um desastre total.

QUEM: Você se rendeu ao sistema?
L: Não. Eu continuo independente. O contrato que tenho atualmente com a Sony/BMG tem uma parceria com o meu selo, Universo Paralelo. A gravadora me deu liberdade de fazer o que eu quero e eu estou fazendo. Isso é o que importa.

CONTINUO TENDO A MESMA POSTURA QUANTO A LIBERAÇÃO DAS DROGAS. MACONHA, PARA MIM, É COMO SE FOSSE CIGARRO. EU ACABO DE COMER E ACENDO UM.

QUEM: Por falar em Vida Bandida, todas as suas prisões tinham a ver com apologia, uso e porte de drogas. Vinte e um anos depois de sua última prisão, qual sua opinião sobre as drogas?
L: Eu não mudei nada. Eu tenho 50 anos e estou a mesma coisa. Continuo tendo a mesma postura quanto a liberação das drogas. Se fossem liberadas, seriam menos perigosas. Você poderia comprar cocaína de grande qualidade, e as pessoas não cheirariam maisena, vidro moído, mármore… Maconha, para mim, é como se fosse cigarro. Eu acabo de comer e acendo um. Eu gosto de fumar.

QUEM: Hoje está com 50 anos. Você se considera um sobrevivente?
L: Eu sou um cara de 50 anos que já era para ter morrido há pelo menos uns 40 (risos). Eu tenho um histórico de sobrevivência. Aos 2 anos de idade, eu era o xodó do dr. Rinaldo de Lamare (pediatra autor do best-seller A Vida do Bebê), por ter tido necrose, na época uma doença incurável. Sobrevivi a minha geração, que morreu toda de Aids. Todos os meus amigos, o Júlio Barroso (da Gang 90), o Renato Russo, Cazuza. Tive medo, não sabíamos de onde vinha a doença, era um terror constante. Para ser sincero, parece que ainda está tudo por fazer. Eu penso que o grosso do meu trabalho ainda não foi posto para fora. Eu tenho feito, hoje, 20% do que quero fazer. Me sinto ainda um garotão.

QUEM: Você vem acompanhando a trajetória da cantora Amy Winehouse? Você acha que ela usa drogas recreativamente ou para se autodestruir?
L: Eu amo a Amy. Acho ela sensacional! Por mais enganada que esteja, com certeza ela deve estar passando por um processo de esclarecimento pessoal muito grande. Ela caminha para esse tipo de martírio midiático. É do tipo arquétipo sofredor. Com certeza, Jimi Hendrix seria um sacristão perto dela. A história da maioria desses gênios é dramática, se não trágica.

QUEM: Você está casado há 17 anos com a empresária Regina Lopes. Não quiseram ter filhos?
L: Não. Eu tenho vários enteados e uma filha também. A Regina tem muita vontade de adotar, pode ser que no futuro aconteça. Ela sempre fala “um dia desses, quando a gente tiver a nossa vida mais tranqüila, vamos adotar”. Se ela quiser, de repente, acho que é uma coisa necessária. Se tivermos condições de vida para dar a uma criança que já exista, para que colocar mais gente no mundo? Se eu puder, a médio prazo, pode rolar, sim.

QUEM: Você tem uma filha, chamada Júlia, com a atriz Danielle Daumerie, que aparece nua na capa do disco O Rock Errou, de 1986. É uma relação conturbada?
L: A Júlia está com 19 anos. Eu sou um caso típico de pais separados, em que houve uma briga, a mãe monopolizou a filha, e eu fiquei meio de fora. Eu não tenho muita vivência com ela, gostaria muito. Lutei pela guarda, mas o roqueiro, o drogado… – as pessoas achavam que eu não estava apto para isso. Eu espero que um dia a gente se acerte. Eu gosto muito dela. Ela está uma menina bonita, fazendo faculdade de moda no Rio de Janeiro. Nos falamos esporadicamente, mas não há uma intimidade maior porque não tivemos possibilidade de isso acontecer.

QUEM: “Me chama” foi a música mais tocada na década de 80. Cansa ter que tocá-la ainda hoje?
L: Quando me cansa, eu paro. Às vezes passo um bom tempo sem cantá-la.

QUEM: E quando te pedem para tocar uma determinada música?
L: Eu faço questão de não tocar. Caetano faz isso também. Alguém pede a ele: “Toca ‘Leãozinho’”. Ele diz: “Ia tocar, não toco mais”. Para um artista de verdade, isso é uma ofensa. Isso só se faz com cantor de churrascaria.

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60798 visitas - Fonte: Poços10

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