Relatório final da CPMI dos atos golpistas Será apresentado na terça-feira

Portal Plantão Brasil
16/10/2023 14:57

Relatório final da CPMI dos atos golpistas Será apresentado na terça-feira

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O relatório final da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas do dia 8 de janeiro está programado para ser apresentado na terça-feira (17). A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora do processo, protocolou seu parecer nesta segunda-feira, marcando a leitura do relatório para o próximo dia.

A investigação da CPMI abrangeu diversos aspectos relacionados aos eventos ocorridos em 8 de janeiro, quando atos considerados golpistas ocorreram em Brasília. A comissão ouviu 20 depoimentos, incluindo o depoimento de George Washington e Wellington Macedo, condenados por planejar um ataque com um caminhão-tanque no aeroporto de Brasília no final de 2022. Além disso, o empresário Argino Bedin, conhecido como o "Pai da Soja" em Mato Grosso, acusado de financiar os atos, também prestou depoimento.

O depoimento do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, coronel Mauro Cesar Cid, e do coronel Jean Lawand, que, em troca de mensagens telefônicas com Mauro Cid, defendeu uma intervenção militar após as eleições de 2022, também foi registrado.

Outros depoimentos incluíram o sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, que negou acusações sobre fraude no cartão de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro, participação nos atos de 8 de janeiro ou irregularidades em movimentação financeira considerada atípica. Segundo Eliziane, entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2022, o militar movimentou mais de R$ 3 milhões em sua conta.

A comissão também ouviu depoimentos de militares de alto escalão, como os generais Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Gonçalves Dias, conhecido como G. Dias, que também comandou o GSI no dia dos ataques às sedes dos Três Poderes.

O general Heleno negou ter participado de acampamentos golpistas ou reuniões com chefes das Forças Armadas para discutir um golpe de Estado. Ele argumentou que o papel do ex-ajudante de ordens estava restrito a cumprir ordens do então presidente e, portanto, não participava de reuniões relevantes para a tomada de decisões.

G. Dias, por sua vez, admitiu ter feito uma avaliação errada dos acontecimentos que levaram a depredações na Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro. Ele afirmou que recebeu informações conflitantes por "contatos diretos" e negou negligência ou inércia dos militares no desmantelamento do acampamento próximo ao quartel-general em Brasília. Ele enfatizou que o trabalho foi coordenado com pedidos de reforço policial e segurança.

O ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres, também foi ouvido pela CPMI. Durante a investigação, a Polícia Federal encontrou um documento em sua casa intitulado "minuta do golpe", que previa a declaração do Estado de Sítio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a prisão do ministro Alexandre de Morais e a convocação de novas eleições caso Bolsonaro perdesse a eleição presidencial.

Walter Delgatti Netto, o hacker que invadiu sistemas do Judiciário brasileiro, também prestou depoimento e afirmou aos parlamentares que invadiu os sistemas a pedido da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que negou as acusações. Delgatti alegou ainda que, a pedido de Bolsonaro, orientou os militares das Forças Armadas na elaboração do relatório sobre as urnas eletrônicas apresentado em 2022. Segundo Delgatti, Bolsonaro ofereceu indulto presidencial em troca da invasão das urnas eletrônicas e, em troca, assumiria a responsabilidade por um suposto grampo para monitorar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O termo "indulto" significa o perdão da pena, concedido por decreto presidencial.

Após o depoimento de Delgatti, a comissão decidiu quebrar os sigilos bancários, fiscais, telemáticos e telefônicos da deputada federal Carla Zambelli, de seu irmão Bruno Zambelli, deputado estadual por São Paulo, e do então assessor parlamentar da deputada, Renan César Silva Goulart. A comissão também solicitou acesso ao Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da parlamentar, que registra movimentações financeiras consideradas "atípicas".

Marcela da Silva Morais Pinno, cabo da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), que foi agredida por vândalos que invadiram as sedes dos três poderes, expressou em seu depoimento que nunca havia visto uma manifestação tão violenta e agressiva como a dos atos golpistas em 8 de janeiro.

A CPMI enfrentou diversos obstáculos durante seu trabalho, incluindo decisões judiciais que suspenderam quebras de sigilo do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, alegadamente envolvido em tentativas de interferência na eleição presidencial de 2022. O ex-diretor negou as acusações. A comissão também teve dificuldades relacionadas ao comparecimento de testemunhas, com alguns depoimentos cancelados sem justificativa.

No entanto, a CPMI prosseguiu com sua investigação, abordando uma série de questões e depoimentos que lançaram luz sobre os eventos de 8 de janeiro e suas circunstâncias. O relatório final, a ser apresentado na terça-feira, fornecerá conclusões e recomendações com base nas descobertas da comissão.

*Com informações da Agência Brasil*

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