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A divulgação massiva de mais de 3 milhões de documentos sobre o caso Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxe à tona conexões diretas entre o círculo íntimo do bilionário pedófilo e a elite econômica brasileira. E-mails interceptados revelam que, em 2013, o financista britânico Ian Osborne — parceiro de Epstein em esquemas de tráfico de influência — realizou uma série de reuniões no Brasil com os representantes das famílias Marinho, dona do Grupo Globo, e Villela Marino, acionista do banco Itaú, além do empresário Eike Batista.
Nas mensagens, Osborne relata a Epstein com entusiasmo sua agenda no país, descrevendo os Marinho e os Marino como parte das famílias "mais ricas e poderosas" do Brasil. Embora o teor exato das conversas não tenha sido detalhado nos documentos liberados até o momento, a proximidade de Osborne com Epstein e suas práticas de bastidores levantam sérias questões sobre a natureza dessa interlocução. Osborne é conhecido por atuar como um "articulador das sombras", especializado em manipular nomeações corporativas e influenciar governos e órgãos reguladores em benefício de seus aliados.

O histórico de Ian Osborne reforça o perigo dessas conexões. Ele foi peça central no chamado "Project Jes", uma trama para favorecer a nomeação de Jes Staley ao comando do banco Barclays, utilizando a rede de influência de Epstein para pressionar a imprensa e autoridades britânicas. O fato de um indivíduo com esse perfil ter tido acesso direto aos controladores do maior conglomerado de mídia e de um dos maiores bancos do Brasil evidencia como as redes de poder global, muitas vezes ligadas a figuras condenadas, buscam se infiltrar em instituições estratégicas nacionais.
Jeffrey Epstein, que morreu em 2019 antes de ser julgado por tráfico sexual de menores, utilizava sua rede de contatos para expandir seus negócios e garantir impunidade. O aparecimento das famílias Marinho e Marino nestes arquivos, ainda que de forma indireta através do relato de Osborne, coloca os clãs brasileiros sob os holofotes de um escândalo que abalou as estruturas de poder no mundo todo. Para os defensores da transparência, essas revelações são fundamentais para entender como o capital financeiro e midiático se relaciona com articuladores internacionais de reputação duvidosa.
A liberação gradual dos arquivos promete novos desdobramentos, já que o volume de material é imenso e ainda está sendo periciado por investigadores e pela imprensa independente. A menção ao Brasil nesses documentos reforça a necessidade de se investigar se houve qualquer tipo de contrapartida ou facilitação de negócios que envolvessem a rede de Epstein em solo brasileiro. Até o momento, os grupos citados não se manifestaram sobre os encontros realizados com Osborne há mais de uma década.
A retomada do Caso Epstein com provas documentais robustas mostra que os tentáculos dessa rede eram muito mais extensos do que se imaginava, alcançando as cúpulas empresariais de países em desenvolvimento. O Brasil, infelizmente, aparece como uma peça relevante nesse tabuleiro de influência corporativa e política. Continuaremos acompanhando a análise dos 3 milhões de documentos para garantir que todas as conexões obscuras entre a elite brasileira e o submundo do poder global sejam devidamente expostas.
Com informações do DCM
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