155 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A gestão de Ricardo Nunes em São Paulo continua a demonstrar uma inversão de prioridades que privilegia aliados políticos em detrimento da cultura popular e do bom uso do dinheiro público. Sem qualquer justificativa técnica ou novas contrapartidas, a prefeitura decidiu aditar um contrato com o evento "Vira Brasil", da Igreja Lagoinha, elevando o patrocínio para R$ 5 milhões. O mais escandaloso é que o aumento no repasse não trouxe nenhum benefício extra para a cidade: a prefeitura aceitou pagar muito mais pelas mesmas entregas de divulgação que já estavam previstas no valor original de R$ 4 milhões.
Enquanto abre os cofres para eventos de cunho religioso e político, Nunes adota uma postura de desprezo com o Carnaval de rua, uma das maiores manifestações culturais da capital. O valor destinado ao Vira Brasil é o dobro de todo o fundo reservado para o fomento dos blocos de rua (R$ 2,5 milhões). Ao ser questionado sobre a insuficiência dos repasses para os blocos, que recebem apenas R$ 25 mil cada, o prefeito bolsonarista respondeu com arrogância, sugerindo que os produtores culturais "não se acomodem" e busquem o "despertar do empreendedorismo".
A hipocrisia da gestão municipal fica evidente ao comparar as exigências. Enquanto manda os blocos de rua buscarem a iniciativa privada, Nunes banca quase integralmente um evento que cobrou ingressos de até R$ 700 para áreas VIP e sorteou carros em setores que custavam R$ 7 mil. O "Vira Brasil" não teve patrocínios privados relevantes, sustentando sua estrutura luxuosa na Neo Química Arena com o dinheiro dos contribuintes paulistanos, sob o pretexto de "interesse social e turístico" alegado pela Secretaria Municipal de Turismo.
A falta de transparência no aditamento do contrato chama a atenção de órgãos de controle. Todas as cláusulas — como a inserção da logomarca da prefeitura em painéis de LED e vídeos promocionais — já constavam no pacote anterior. Não houve ampliação de palco ou melhoria na estrutura que justificasse o aporte extra de R$ 1 milhão. A prefeitura simplesmente decidiu ser mais generosa com a Lagoinha, ignorando que o orçamento público deveria servir para democratizar o acesso à cultura, e não para financiar eventos exclusivos de grupos específicos.
O tratamento diferenciado dado a eventos religiosos em ano eleitoral levanta suspeitas sobre o uso da máquina pública para a construção de palanques ideológicos. Nunes utiliza a Secretaria de Turismo como um balcão de negócios para agradar bases conservadoras, enquanto sufoca financeiramente as festas populares que ocupam o centro da cidade e geram renda para milhares de trabalhadores informais. O "despertar empreendedor" cobrado pelo prefeito parece valer apenas para quem não faz parte de seu círculo de alianças políticas.
Em nota, a Secretaria Municipal de Turismo tentou validar o gasto mencionando custos com sonorização e geradores, itens que já deveriam estar cobertos pelo contrato milionário inicial. O posicionamento da pasta reforça a percepção de uma gestão que não consegue, ou não quer, explicar por que o dinheiro do povo paulistano está sendo drenado para beneficiar estruturas privadas de alto custo, enquanto a cultura de rua, legítima e democrática, agoniza com migalhas oferecidas pelo governo municipal.
Veja a postagem no X:
Sabem aquele patrocínio de R$ 4 milhões da prefeitura de São Paulo à Lagoinha? Foi pior.
— Demétrio Vecchioli (@demetriovec) February 2, 2026
De última hora, gestão Nunes assinou aditivo aumentando o repasse para R$ 5 milhões sem justificativa e sem qualquer contrapartida.
Só quis pagar mais e pagou.https://t.co/WYFYfYhuCa