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A desarticulação temporária entre os órgãos de controle permitiu que o bolsonarista Apolo Carvalho da Silva, réu pelos ataques terroristas de 8 de janeiro, protagonizasse uma fuga digna de cinema. Mesmo com mandado de prisão em aberto e ordens expressas do ministro Alexandre de Moraes para bloquear qualquer documento, Apolo conseguiu obter um novo passaporte no consulado brasileiro no México em setembro de 2025. O Itamaraty já reconheceu publicamente a "concessão indevida" e lamentou a falha sistêmica que permitiu a emissão do documento assinado por um vice-cônsul na Cidade do México.
Para conseguir o documento, o golpista utilizou um boletim de ocorrência falso, alegando ter perdido seu passaporte original — que, na verdade, estava retido pela justiça em Minas Gerais. Ele apresentou documentos básicos e informou endereços mentirosos para despistar os servidores. A falha é considerada gravíssima, uma vez que o consulado opera no mesmo prédio que representantes da Polícia Federal, evidenciando uma falta de comunicação interna que foi explorada pelo criminoso para deixar o continente americano rumo à Europa em dezembro passado.

A trajetória de Apolo revela uma rede de apoio articulada por investigados que se recusam a responder por seus crimes no Brasil. Antes de chegar ao México, ele passou pela Argentina, Peru e Colômbia. Já em solo europeu, ele foi recebido na Espanha pelo também foragido Oswaldo Eustáquio. Atualmente vivendo em Madri, Apolo protocolou um pedido de "proteção internacional", utilizando a narrativa vitimista de perseguição política para tentar escapar da extradição e da responsabilização pelos atos antidemocráticos que ajudou a promover.

A defesa do golpista é conduzida pelo mesmo advogado de Carla Zambelli e alega que a Espanha tem sido "receptiva" aos envolvidos nos ataques aos Três Poderes. O argumento central para o pedido de asilo é o medo de que a justiça brasileira agrave sua pena ao analisar as provas encontradas em seu celular. Perícias da Polícia Federal mostram vídeos de Apolo dentro das sedes dos Poderes no dia 8 de janeiro, comemorando a invasão com frases como "é tudo nosso", o que desmente qualquer narrativa de manifestação pacífica.
Vale ressaltar que Apolo teve a chance de encerrar o processo através de um acordo com o Ministério Público, que exigia confissão e serviços comunitários, mas preferiu a clandestinidade. Ele teme que as provas colhidas pela PF o condenem por crimes mais graves, como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Sua fuga para a Espanha é mais um capítulo da tentativa da extrema-direita de criar redutos de impunidade no exterior, contando com a ajuda de figuras já conhecidas da justiça.
O governo brasileiro agora trabalha para corrigir as vulnerabilidades no sistema de emissão de passaportes e garantir que outros foragidos não utilizem o mesmo artifício. O cancelamento do documento de Apolo só ocorreu em janeiro de 2026, quando ele já estava instalado em Almería. O caso reforça a necessidade de vigilância constante contra aqueles que, após tentarem destruir a democracia brasileira, buscam agora as proteções das democracias europeias para se esconderem de seus próprios crimes e responsabilidades.
Com informações do DCM
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