Taurus engana voluntários para remover armas visadas por facção de aeroporto no RS

Portal Plantão Brasil
17/5/2024 15:35

Taurus engana voluntários para remover armas visadas por facção de aeroporto no RS

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A indústria bélica Taurus teria enganado voluntários socorristas, alegando que precisavam resgatar crianças ilhadas pelas brutais chuvas que devastaram o Rio Grande do Sul nas últimas semanas. No entanto, o verdadeiro objetivo era realizar uma perigosa operação de remoção de uma carga com 3,5 mil fuzis e pistolas armazenada no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, e visada pelo crime organizado. A informação é do portal de notícias gaúcho ABC Mais, que entrevistou as pessoas envolvidas no episódio.

“Nos enganaram, fomos chamados para resgatar crianças e acabamos virando escudo humano”, contou o investidor Nicolas Vedovatto, de 26 anos. Uma médica de 31 anos, que pediu anonimato, afirmou que se sentiu coagida. Esses socorristas, que saíram do Litoral Norte do Rio Grande do Sul para ajudar nas operações de busca na capital e região metropolitana, disseram que foram "recrutados" por um homem em um grupo de aplicativo de mensagens, pedindo seus serviços voluntários para salvar crianças. Já a caminho do local onde estavam as armas, uma mulher com um crachá da Taurus explicou que a verdadeira missão era impedir que as armas caíssem nas mãos de criminosos, afirmando que era "tão importante quanto resgatar crianças".

“Recebi mensagem de um desconhecido, com entonação forte, dizendo que tinha uma demanda urgente de resgate de crianças. Aquilo me comoveu muito. Logo me coloquei à disposição”, contou Vedovatto ao ABC Mais. Só que a história mudou durante a operação. “Trabalho na Taurus. O resgate que vocês vão fazer não é mais de crianças, e sim de armas”, disse a funcionária da Taurus. “Travei. Disse que não iria. Ela argumentou que precisava de civis e que haveria policiais à paisana. Pedimos identificação e ela nos mostrou uma carteira de trabalho da Taurus... Daí a mulher disse que era tão importante quanto salvar crianças, pois evitaria que armas fossem parar nas mãos de bandidos”, relatou a médica.

A operação de retirada das armas contou com a participação da Polícia Federal, que empregou o Comando de Operações Táticas (COT), agentes fortemente armados e atiradores de elite. No entanto, o uso de civis sem qualquer experiência em uma ação desse tipo é altamente questionável. A remoção das armas do Aeroporto Internacional Salgado Filho teve ampla cobertura da imprensa e virou matéria especial no programa Fantástico, da TV Globo.

“Dias depois, nos deparamos com uma reportagem no Fantástico, onde aparecemos fazendo o transporte como se fôssemos policiais de elite. Ainda vimos, em vários sites, que essas armas eram cobiçadas por facções. E nós lá, tirando elas. Estamos assustados e muito preocupados”, contou Vedovatto. Ele disse que se sentiu usado pela empresa de armas e que virou motivo de gozação depois da tarefa que realizou. “Eu desconversava e tinha que lidar com gozações, porque as pessoas viram meu vídeo com pedido de ajuda para resgate das crianças e não ouviram mais nada a respeito. Mesmo tendo sido feito de bobo por uma empresa que ignorou os protocolos de segurança e nos expôs a risco extremo, eu não falava sobre as armas. Despistava, mesmo com as piadas”, acrescentou.

Em nota ao portal autor da reportagem, a Taurus confirmou que a mulher que recrutou os socorristas é funcionária da empresa, mas afirmou desconhecer quem seria o homem que iniciou o contato com o grupo.

“A Taurus é uma Empresa Estratégica de Defesa, credenciada pelo Ministério da Defesa, atua há 85 anos de acordo com as diretrizes legais e regulatórias, e esclarece que a operação de retirada das armas no aeroporto foi coordenada na parte fluvial pelo Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (COT) e na parte terrestre com veículo de transportadora credenciada pelo Exército Brasileiro, escoltada por dois veículos de segurança privada armados e acompanhada por três viaturas da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. A conferência e manuseio das armas foram feitos por 12 funcionários da Taurus, da área de logística, devidamente capacitados”, diz o comunicado da indústria bélica.

A Polícia Federal explicou que a responsabilidade de arranjar a equipe era da Taurus. “A retirada das armas que estavam depositadas no Aeroporto Internacional Salgado Filho foi coordenada pela Polícia Federal, por meio do Comando de Operações Táticas (COT), grupo especializado em situações de risco, em articulação com a Fraport, administradora do Aeroporto Internacional Salgado Filho, e com a empresa proprietária da carga, sendo esses, exclusivamente, os participantes envolvidos com a logística de remoção do armamento”, disse a PF em nota ao ABC Mais.






Assista ao vídeo:


Com informações de ABC Mais

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