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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, deu um xeque-mate na blindagem do antigo orçamento secreto ao autorizar que a Polícia Federal realize uma acareação entre o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, e o deputado José Rocha (União-BA). A decisão coloca frente a frente o cacique do centrão e seu colega de parlamento para resolver contradições explosivas sobre quem realmente mandava na distribuição bilionária de emendas sem transparência.
O confronto direto foi motivado após a Operação Transparência, que mirou a ex-assessora de Lira, Mariangela Fialek, a "Tuca". Enquanto a Advocacia da Câmara tenta desqualificar a operação, alegando que as buscas se basearam em mentiras, o deputado José Rocha botou a boca no trombone: ele apontou Tuca como a operadora das indicações ocultas. Agora, Dino quer que Lira explique olho no olho as divergências sobre esse mecanismo que o STF já proibiu por ser um duto de corrupção institucionalizada.
A investigação aponta que o esquema permitia a destinação de montantes colossais de dinheiro público sem que o autor da "bondade" fosse identificado, servindo como moeda de troca política no governo anterior. Arthur Lira, que sempre operou com mão de ferro na Câmara, manifestou "estranheza" com a decisão, mas terá que se explicar à PF sob o rigor de Flávio Dino, que não tem demonstrado disposição para aceitar as manobras protelatórias das cúpulas legislativas.
Além de José Rocha, outros parlamentares como Glauber Braga e Adriana Ventura já prestaram depoimento, fechando o cerco sobre como a cúpula da Câmara operacionalizava o orçamento paralelo. A PF agora analisa os materiais apreendidos nos gabinetes para cruzar os dados com o que será dito na acareação. O sigilo do processo protege os detalhes, mas o recado é claro: a era da indicação anônima de bilhões de reais está sob minuciosa varredura judicial.
A tentativa de Arthur Lira de se colocar como vítima de "informações inverídicas" esbarra na contundência das oitivas realizadas até aqui. O ex-presidente da Câmara, que viu seu poder minguar com o fim do orçamento secreto e a ascensão de uma gestão ética sob o governo Lula, enfrenta agora o fantasma de sua própria estrutura de poder. A acareação será o momento da verdade para um sistema que tentou governar o Brasil pelas sombras.
O desfecho deste embate terá impacto direto na correlação de forças em Brasília. Se as contradições confirmarem que a assessoria da Presidência da Câmara era, de fato, o balcão de negócios do orçamento secreto, o prejuízo político para Lira e seus aliados será irreversível. Enquanto a extrema direita grita contra o STF, o ministro Flávio Dino segue aplicando a lei para garantir que cada centavo do povo brasileiro tenha autoria e destino conhecidos.
Com informações do DCM
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