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O submundo das finanças bolsonaristas sofreu um golpe fatal com a revelação do périplo desesperado de Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, pelos corredores do Banco Central. Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que o banqueiro esteve ao menos 17 vezes na autarquia em 2025, somando mais de 34 horas de pressão nos bastidores enquanto seu império de papel derretia. O que Vorcaro tentava vender como "gestão" era, na verdade, uma corrida contra o tempo para esconder fraudes e tentar empurrar carteiras podres de R$ 1,8 bilhão ao BRB com documentos adulterados.
A promiscuidade de Vorcaro com as áreas estratégicas do BC é estarrecedora. Das visitas, cinco foram diretamente ao gabinete da presidência, incluindo reuniões que duraram o triplo do previsto. Enquanto Vorcaro tentava convencer a cúpula do órgão de que o Master era viável, a Diretoria de Fiscalização já detectava o odor de podridão financeira, encaminhando provas de fraudes ao Ministério Público e à Polícia Federal. A tática do banqueiro era clara: usar o acesso privilegiado para tentar salvar o próprio pescoço enquanto os ativos do banco eram drenados por operações nebulosas.
Um dos episódios mais graves ocorreu em julho de 2025, quando Vorcaro permaneceu mais de 8 horas dentro do Banco Central sob a guarda da Diretoria de Fiscalização. Apenas dois dias depois dessa maratona, o BC autorizou a venda do Banco Voiter para um ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, que posteriormente foi preso na Operação Compliance Zero. Essa rede de "ex-sócios" e laranjas era a engrenagem que mantinha o esquema de pé, reduzindo artificialmente os custos para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) enquanto o prejuízo real era empurrado para debaixo do tapete.
A derrocada final de Vorcaro foi digna de um roteiro policial. Após ser oficialmente notificado de que as carteiras bilionárias vendidas ao BRB continham documentação insuficiente e indícios de crime, o banqueiro tentou uma última manobra: anunciou uma venda fictícia para investidores árabes. A farsa não durou 24 horas. Em novembro, poucas horas após uma última reunião virtual com o BC, Vorcaro foi interceptado e preso pela Polícia Federal no aeroporto, tentando fugir do país com o pretexto de "assinar contratos" em Dubai.
Diferente do descontrole institucional que marcou o governo anterior, o Banco Central e a Polícia Federal sob a gestão democrática de Lula demonstraram que a fiscalização não é mais um item negociável. A defesa de Vorcaro tenta alegar que ele foi "pego de surpresa", mas os dados da LAI provam que o cerco estava fechado há meses. Enquanto o bolsonarismo tentava usar o Master como seu banco de estimação, as instituições republicanas trabalhavam para evitar que uma crise sistêmica fosse financiada com o dinheiro público e dos depositantes.
A liquidação do Banco Master e a prisão de seu dono encerram um ciclo de impunidade para o capital especulativo ligado à extrema direita. O rastro de 17 visitas ao BC não foi suficiente para apagar as provas de gestão fraudulenta e emissão de títulos sem lastro. O caso agora segue para o Ministério Público, onde o histórico de reuniões de Vorcaro servirá não como prova de boa-fé, mas como evidência de uma tentativa desesperada de obstruir a justiça e manipular a regulação bancária do país.
Com informações do DCM
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