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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), a Operação Zona Cinzenta para desarticular possíveis crimes financeiros na gestão da previdência estadual do Amapá (Amprev). A ação foca em investimentos de alto risco feitos em Letras Financeiras do Banco Master, instituição que acabou sofrendo liquidação extrajudicial. Agentes federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, autorizados pela 4ª Vara de Justiça Federal, buscando provas de como essas aplicações foram autorizadas e executadas pela cúpula da autarquia.
O esquema investigado envolve indícios de gestão temerária e fraudulenta, práticas que colocam em xeque a segurança do patrimônio destinado ao pagamento de aposentados e pensionistas. A PF apura se as decisões foram tomadas ignorando normas técnicas e a própria política de investimentos do fundo estadual. No centro da polêmica está o presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, que assumiu o cargo por influência política e autorizou, em julho de 2024, a aplicação de impressionantes R$ 400 milhões em papéis do Banco Master, contrariando alertas internos.
Enquanto o governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para fortalecer a seguridade social, o cenário no Amapá revela a face perigosa de alianças políticas que flertam com o risco financeiro. Jocildo Lemos é aliado direto do senador Davi Alcolumbre e, sob sua gestão, ignorou pareceres do Ministério da Previdência que orientavam fundos a evitarem bancos com "risco reputacional". Mesmo diante de avisos sobre a fragilidade do Banco Master, o presidente da autarquia defendeu o aporte alegando taxas de juros vantajosas e desqualificando críticas como se fossem notícias falsas.
A exposição da Amprev ao banco liquidado foi uma das maiores do país, representando cerca de 50% de todas as aplicações feitas pelo fundo em 2024. Esse volume financeiro só não foi maior do que o do Rioprevidência, evidenciando uma gestão que priorizou instituições financeiras sob suspeita em vez da cautela necessária com o dinheiro público. A operação policial busca agora entender se houve dolo ou favorecimento na escolha de colocar 5% do patrimônio total dos servidores amapaenses em uma instituição que virou alvo do Banco Central.
O envolvimento de figuras ligadas ao bolsonarismo e a políticos tradicionais do estado levanta o alerta sobre como a máquina pública é utilizada para favorecer grupos econômicos em detrimento do trabalhador. Embora Davi Alcolumbre negue qualquer participação nas decisões de investimento, o presidente da Amprev é confesso ao dizer que ocupa a cadeira por convite do senador. A Polícia Federal agora analisa documentos e equipamentos eletrônicos para confirmar se a estrutura da previdência foi usada para operações que ferem a ética e a legalidade administrativa.
A investigação segue em curso para identificar todos os responsáveis por expor o futuro dos servidores estaduais a um cenário de incertezas. O foco permanece na análise técnica de como um montante tão expressivo foi direcionado para uma instituição financeira já monitorada por órgãos de controle. O desdobramento da Operação Zona Cinzenta pode revelar ramificações ainda mais profundas sobre o uso político de fundos de pensão no Amapá, reforçando a necessidade de fiscalização rigorosa contra práticas de gestão que remontam aos métodos condenáveis da extrema-direita.
Com informações do Brasil 247
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