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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tentou, na noite desta terça-feira (7), elevar o tom do teatro político que a família encena desde a prisão do ex-capitão. Após visitar o marido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ele cumpre 27 anos de pena por tentar um golpe de Estado, Michelle apresentou uma versão fantasiosa do acidente ocorrido na cela. Ignorando o laudo dos médicos da PF — que constataram apenas uma escoriação leve —, ela afirmou à imprensa que Bolsonaro estava com o "pé sangrando", um hematoma no rosto e, em um toque de puro dramatismo, alegou que o condenado sofre de perda de memória e lentidão nas respostas.
Essa narrativa de "amnésia" é vista como a mais nova peça da tática de tumulto adotada pelo clã para desestabilizar as relações com o Judiciário e inflamar redes extremistas. Enquanto Michelle fala em "sangue de inocentes" e faz apelos religiosos contra o ministro Alexandre de Moraes e o procurador Paulo Gonet, os fatos mostram um detento sob vigilância 24 horas que sequer acionou o botão de emergência disponível em sua sala no momento da suposta crise. A tentativa de transformar um tombo noturno em um risco neurológico iminente visa apenas um objetivo: retirar o criminoso da carceragem comum e levá-lo para as mordomias do Hospital DF Star.
O ministro Alexandre de Moraes foi célere ao barrar a manobra, fundamentando sua decisão na nota técnica da Polícia Federal que negou qualquer necessidade de remoção hospitalar. Para o magistrado, não há urgência que justifique quebrar os protocolos do sistema prisional para atender a um detento que, segundo os próprios agentes que o buscaram para a visita, estava consciente e minimizou o ocorrido. O contraste entre a realidade clínica e o "dramalhão" postado por Carlos Bolsonaro — que chegou a dizer que não sabia se encontraria o pai vivo — expõe o ridículo de uma defesa que trocou o Direito pelo marketing do vitimismo.
A família Bolsonaro tenta criar factoides diários para sustentar a tese de que os direitos do patriarca estão sendo violados, mas esquece que o ex-presidente recebe atendimento médico contínuo e acompanhamento que a maioria da população carcerária jamais teve. A "crise de soluços" e a cirurgia de hérnia recente já haviam sido exploradas politicamente, e agora a queda na madrugada surge como o pretexto perfeito para tentar forçar uma prisão domiciliar. No entanto, o rigor da lei segue sendo aplicado, e a tentativa de usar a religiosidade e o choro para comover a opinião pública esbarra na gravidade dos crimes cometidos contra a República.
Enquanto Michelle aproveita os holofotes para atacar as instituições, o país assiste à desmoralização de um líder que, sem o poder da caneta, revela-se incapaz de encarar as consequências de seus atos sem recorrer a encenações. A segurança institucional do Brasil, fortalecida sob o governo Lula, não se deixa abalar por postagens de Instagram ou coletivas de imprensa improvisadas na porta da PF. O "amor" que Michelle diz estar em perigo é o mesmo homem que incentivou o caos no país e que hoje, legitimamente preso, precisa inventar doenças e amnésias para tentar escapar do silêncio de sua cela especial.
O episódio encerra mais um dia de agitação bolsonarista que termina em derrota jurídica. A manutenção de Bolsonaro sob custódia na PF, sem as regalias pretendidas, reafirma que o tempo dos privilégios para golpistas acabou. A justiça brasileira, representada pela firmeza de Moraes, demonstra que hematomas leves e narrativas de esquecimento não são moedas de troca para a liberdade de quem atentou contra a soberania do povo. Bolsonaro segue em observação, não por risco de vida, mas pela necessidade de garantir que cumpra cada dia de sua condenação conforme determina a sentença.
Assista:
??URGENTE - Michelle diz que Bolsonaro estava com um hematoma no rosto e com o pé sangrando na PF
— SPACE LIBERDADE ? (@NewsLiberdade) January 7, 2026
“Ele está um pouco lento nas respostas. Tentei conversar, mas ele não lembrava de nada” pic.twitter.com/VS1mpdSzWe