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Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, decidiram não participar da cerimônia que marca os três anos das invasões de 8 de Janeiro, agendada para esta quinta-feira (8) no Palácio do Planalto. O movimento de distanciamento das cúpulas do Legislativo não é apenas uma coincidência de agenda, mas um reflexo do cálculo político em um Congresso que flerta abertamente com a impunidade. A ausência ocorre no momento em que o presidente Lula deve vetar o projeto de lei da "Dosimetria", uma manobra legislativa aprovada para reduzir drasticamente as penas dos golpistas e que beneficiaria diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão.
As justificativas apresentadas beiram o protocolar: Alcolumbre alegou compromissos em sua base no Amapá devido ao recesso, enquanto Motta citou "questões pessoais". Na prática, o desinteresse das lideranças em reafirmar o compromisso democrático ao lado do Executivo e do Judiciário reforça o esvaziamento dessas solenidades. Enquanto o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF) — este último com uma programação robusta de exposições e documentários — buscam manter viva a memória do ataque criminoso à República, o Congresso parece preferir virar a página sem encarar as devidas responsabilidades.
O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, pontuou que o discurso de Lula será focado na "defesa da democracia com soberania nacional", temas que ganharam contornos ainda mais urgentes após as recentes intervenções dos EUA no continente. O veto ao projeto da Dosimetria será o ponto alto do evento, servindo como uma barreira institucional contra a tentativa dos aliados de Bolsonaro de aliviar a punição de quem tentou destruir as sedes dos Três Poderes. Sem a presença de Motta e Alcolumbre, a fotografia da cerimônia exibirá uma clivagem clara entre quem sustenta a punição aos golpistas e quem prefere se omitir.
Este padrão de ausências tem se repetido ano após ano, sinalizando que a "festa da democracia" ainda incomoda setores do Legislativo que dependem do apoio da base extremista. Em 2024, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco já haviam aberto o precedente da falta. Agora, seus sucessores mantêm o roteiro, deixando o Executivo e o Judiciário isolados na tarefa de relembrar o trauma de 2023. A falta de manifestações oficiais ou atos próprios por parte da Câmara e do Senado sobre a data é o sintoma mais evidente de um Parlamento que evita o confronto direto com o bolsonarismo residual.
A cerimônia no Planalto, mesmo esvaziada pelas lideranças do Congresso, contará com a presença de movimentos sociais e ministros de Estado. O objetivo é reafirmar que a paz internacional e a integridade das instituições não são negociáveis sob a ótica da conveniência partidária. Para o governo, o ato é uma oportunidade de marcar posição contra qualquer tentativa de anistia disfarçada de revisão técnica de penas, mantendo o rigor contra os articuladores do golpe.
Com informações do DCM
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