O governo de Donald Trump escancarou sua face mais autoritária e imperialista nesta terça-feira (6), ao tratar oficialmente a América Latina como o "quintal" (backyard) dos Estados Unidos. Em um comunicado carregado de arrogância pelo Departamento de Estado, Washington ressuscitou a lógica da Doutrina Monroe, afirmando que utilizará "todas as ferramentas" contra regimes que considerar hostis. Esse discurso agressivo ocorre poucos dias após a invasão ilegal da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, deixando claro que o bolsonarismo internacional e o governo Trump não respeitam a soberania de nenhum povo vizinho.
A contradição da narrativa americana saltou aos olhos quando, logo após o sequestro, o Departamento de Estado foi obrigado a recuar em acusações centrais contra Maduro. Os documentos revisados pela justiça dos EUA retiraram a afirmação de que ele comandaria o chamado "Cartel de Los Soles", que antes era descrito como uma organização poderosa e agora é tratado apenas como uma "rede" difusa. Essa mudança prova o que líderes como Gustavo Petro, da Colômbia, já denunciavam: as acusações de narcotráfico são apenas uma cortina de fumaça para justificar o roubo do petróleo venezuelano e a intervenção militar em solo latino-americano.
Veja a publicação:
President Trump is preventing the Western Hemisphere from becoming a safe haven for drug traffickers, Iranian proxies, and hostile regimes that endanger our national security.
The days of weakness are over. We will deploy every tool to eradicate these threats from our backyard. pic.twitter.com/yD3AXOCe71
Ao afirmar que "os dias de fraqueza acabaram", o governo Trump sinaliza que voltará a tratar os países da região como colônias submissas aos interesses da Casa Branca. O enquadramento da América Latina como base para "adversários e competidores" é uma tentativa de expulsar qualquer influência que não seja a dos EUA, utilizando a desculpa do combate ao crime para eliminar oponentes políticos. O próprio Maduro, em audiência em Nova York, declarou-se um "prisioneiro de guerra", denunciando a violação do direito internacional cometida pelas forças especiais americanas em Caracas.
Enquanto a extrema-direita celebra o uso da força bruta, diplomatas e analistas alertam para o colapso da ordem democrática no continente. A invasão da Venezuela e a prisão de Cilia Flores e Nicolás Maduro não foram atos de justiça, mas um sequestro orquestrado por uma potência que se sente dona do território alheio. A linguagem de "quintal" humilha a diplomacia brasileira e de todos os vizinhos, reduzindo nações soberanas a meros terrenos baldios sob supervisão de Washington, em um retrocesso histórico que remonta aos tempos mais sombrios das ditaduras militares financiadas pelos americanos.
O processo jurídico contra Maduro prossegue em Nova York com acusações de narcoterrorismo, mas a fragilidade das provas apresentadas até agora reforça o caráter político da perseguição. O governo Trump parece menos preocupado com o tráfico de cocaína — que segue abastecendo o mercado americano — e mais focado em garantir o controle direto sobre as maiores reservas de petróleo do mundo. A captura do mandatário venezuelano é uma mensagem clara: qualquer governo que ouse desafiar os interesses econômicos dos EUA será alvo de invasão, sequestro e difamação internacional.
A resistência latino-americana a essa nova era de agressão será fundamental para impedir que a região seja novamente mergulhada no caos por interesses estrangeiros. A submissão que Trump exige e que o bolsonarismo aplaude é o oposto do que defendemos para um Brasil e uma América Latina soberanos e integrados. A história não perdoará aqueles que chamam nossa terra de "quintal" e que, por trás de falsas bandeiras de liberdade, buscam apenas o lucro fácil através da guerra e da pilhagem de recursos naturais.
Com informações do DCM
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