Uma investigação minuciosa sobre as redes sociais revelou que o submundo das páginas de fofoca e entretenimento foi instrumentalizado para servir de escudo ao Banco Master. Ao menos 46 perfis atuaram de forma simultânea e coordenada para atacar o Banco Central (BC), seus diretores e os investigadores da Polícia Federal. O "bombardeio digital" — que especialistas apontam ter sido operado por robôs e impulsionamentos pagos — cresceu no momento em que a fraude de R$ 12 bilhões do Master chegou ao STF. Páginas de alcance massivo, como a Alfinetei (25,3 milhões de seguidores), passaram a publicar análises políticas e jurídicas distorcidas, tentando desacreditar a fiscalização da autarquia para favorecer o banqueiro Daniel Vorcaro.
O ataque foi cirúrgico contra Renato Gomes, ex-diretor do BC que barrou a manobra bilionária entre o Master e o BRB, e também mirou o presidente do BC, Gabriel Galípolo. O modus operandi é clássico do bolsonarismo digital: perfis como @divasdohumor e páginas administradas pelos grupos Banca Digital e Grupo Farol replicaram textos idênticos, alegando que o BC causava "insegurança jurídica". A Febraban detectou um volume bizarro de 4.560 postagens em apenas 36 horas em dezembro, o que prova que não se trata de opinião, mas de uma campanha profissional de difamação paga para blindar criminosos do sistema financeiro.
O esquema, batizado nos bastidores como "Projeto DV" (referência a Daniel Vorcaro), chegou a oferecer quantias milionárias para que influenciadores e políticos aderissem à narrativa de que o Master era "vítima" do sistema. O vereador Rony Gabriel (PL-RS) confirmou ter recebido a proposta de "recompensa milionária" para atacar o Banco Central. Para dar uma aparência de credibilidade, a rede utilizava sites que imitam portais de notícias, como o Notjournal, para disseminar a ideia de que as provas contra Vorcaro seriam frágeis, quando, na verdade, a liquidação do banco pelo BC foi baseada em rombos reais e títulos falsificados.
A entrada das páginas de fofoca nessa disputa marca um novo e perigoso nível da desinformação no Brasil. Ao usar perfis que teoricamente falam de celebridades para manipular o mercado financeiro e pressionar o Poder Judiciário, o clã Vorcaro tentou criar uma cortina de fumaça digital para esconder o saque aos cofres públicos. Essa estratégia de mimetizar portais de notícias e usar influenciadores sem qualquer conhecimento técnico para validar mentiras é uma tentativa direta de desestabilizar as instituições que combatem o crime do colarinho branco e a corrupção bancária.
Enquanto as páginas citadas negam ter recebido pagamento, a coincidência temporal e a reprodução de trechos "copia e cola" deixam claro que houve uma central de comando para este ataque. O STF e o TCU agora monitoram essa rede de influência, que tenta transformar uma intervenção técnica do Banco Central — feita para proteger a economia do país — em uma briga política de redes sociais. A tentativa de transformar o carrasco em vítima fracassou diante da transparência dos dados, mas acendeu o alerta sobre como o dinheiro sujo pode comprar o engajamento de milhões de brasileiros desavisados.
O caso do Banco Master revela que o "bolsonarismo financeiro" aprendeu rápido as táticas de guerrilha digital. A mesma máquina que espalha fake news políticas agora é alugada por banqueiros sob investigação para intimidar servidores públicos e órgãos de controle. O fim da impunidade para essas redes é essencial: quem usa seu alcance para vender mentiras e proteger esquemas bilionários deve ser responsabilizado não apenas no tribunal da opinião pública, mas também na esfera criminal, por obstrução de justiça e propagação de desinformação coordenada.
Com informações do DCM
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.