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O governo de Donald Trump, por meio do procurador Jay Clayton, do Distrito Sul de Nova York, expandiu a ofensiva jurídica contra o círculo de poder na Venezuela ao incluir Nicolás Ernesto Maduro Guerra, o "Nicolasito", em uma nova denúncia criminal. O documento acusa o deputado venezuelano e filho de Nicolás Maduro de atuar como peça-chave em um esquema transnacional de narcotráfico. No entanto, a peça judicial já nasce sob forte questionamento de analistas internacionais devido a um detalhe crucial: a ausência total de provas materiais, como documentos, interceptações ou registros financeiros, que sustentem as graves acusações.
A narrativa apresentada por Washington descreve Nicolasito como um "político corrupto" que utilizaria sua influência no aparato estatal para facilitar o transporte de cocaína colombiana para os Estados Unidos. Segundo a denúncia, ele faria a ponte entre as guerrilhas das FARC e do ELN e os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas. Para sustentar a tese, o procurador cita o depoimento anônimo de um antigo capitão da Guarda Nacional, que afirma ter visto o filho de Maduro supervisionando o carregamento de pacotes suspeitos em aviões da estatal PDVSA entre 2014 e 2015.
Outro ponto polêmico da denúncia alega que, em 2020, Nicolasito teria participado de uma reunião secreta em Medellín, na Colômbia, para planejar o envio de armas e drogas aos EUA em um cronograma que se estenderia até 2026. Novamente, Clayton não anexou evidências que comprovem a presença do deputado no local ou a veracidade das negociações. Para especialistas, o caráter vago das acusações reforça a tese de que a denúncia possui contornos mais políticos do que jurídicos, servindo para justificar a manutenção da pressão máxima e das intervenções americanas na região.
Nicolasito, economista de 35 anos e representante do estado de La Guaira, viu sua ascensão política ser consolidada nas eleições legislativas de 2025, pleito que foi boicotado pela oposição após a queda de seu pai e a captura de Maduro pelas forças dos EUA. Washington sustenta que cargos foram criados especificamente para ele com o intuito de instrumentalizar as estruturas de fiscalização da Presidência em favor de atividades ilícitas.
A estratégia de Trump parece ser a de criminalizar toda a linhagem da liderança venezuelana para inviabilizar qualquer tentativa de resistência política ou retorno do chavismo ao poder. Contudo, a fragilidade probatória do documento apresentado em Nova York pode se tornar um obstáculo para a própria justiça americana, caso a defesa de Nicolasito consiga expor o caráter especulativo das declarações de testemunhas anônimas. Por enquanto, a denúncia serve como combustível para a narrativa de que a Venezuela tornou-se um "narcoestado" gerido por uma dinastia familiar.
Com informações do DCM
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