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O sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores por forças especiais dos Estados Unidos, em plena madrugada de 3 de janeiro, revelou ao mundo um contraste ético profundo quando comparamos a dignidade de quem sustenta suas posições com o oportunismo patético do clã Bolsonaro. Enquanto Michelle Bolsonaro, descrita como uma fanática religiosa acessória, tentava usar a máquina pública para cavar uma candidatura própria e mantinha um sorriso de fachada durante os delírios golpistas do marido, Cilia Flores demonstrou uma postura de lealdade inabalável. No momento em que o palácio presidencial em Caracas era invadido — em uma ação que deixou cerca de 80 mortos — a advogada e deputada venezuelana recusou qualquer tentativa de salvamento individual, exigindo permanecer ao lado de seu companheiro no caminho para a prisão em Nova York.
Cilia Flores, apelidada de "primeira combatente" pelo chavismo, não é uma figura decorativa como as mulheres que orbitam o bolsonarismo. Nascida em Tinaquillo e formada em direito penal e trabalhista, ela construiu uma trajetória sólida de décadas na militância. Foi peça fundamental na libertação de Hugo Chávez nos anos 90, liderando a equipe jurídica que o tirou da cadeia e pavimentou o caminho para a revolução. Diferente da "ex-primeira-dama" brasileira, que se resume a aparições em cultos e brigas familiares com o enteado Carlos Bolsonaro, Cilia foi a primeira mulher a presidir o Parlamento venezuelano, além de ter sido procuradora-geral e vice-presidente do partido governista. Sua influência política sempre foi fruto de competência e luta, não de um casamento de conveniência.
A operação militar estadunidense, marcada pela truculência e desrespeito à soberania, levou o casal à força para os Estados Unidos, onde enfrentam um julgamento político sob acusações de narcotráfico e conspiração. Mesmo diante de acusações graves e sanções internacionais que pesam sobre seus ombros desde 2018, a postura de Cilia no tribunal é a de quem aceita o destino por uma causa. Esse comportamento expõe a covardia de Jair Bolsonaro, que sempre fugiu de suas responsabilidades, inclusive abandonando seus apoiadores golpistas enquanto se refugiava no exterior. Cilia atua nos bastidores e na linha de frente com seriedade, enquanto o bolsonarismo se perde em lives irrelevantes e crises de soluços infantis.
No plano internacional, a figura de Cilia Flores é cercada de controvérsias, incluindo a prisão e posterior libertação de seus sobrinhos em uma troca de prisioneiros com os EUA em 2022. No entanto, sua biografia política resiste à simplificação de ser apenas "a esposa do presidente". Ela retornou à Assembleia Nacional em 2021 por mérito próprio, reafirmando sua base eleitoral no estado de La Guaira. A comparação com o cenário brasileiro é inevitável: enquanto uma liderança histórica prefere o cárcere ao lado do seu par político, o que temos no Brasil é uma família desunida pelo ódio e pela ganância, onde Michelle Bolsonaro parece mais preocupada com seu maquiador e com o próximo post religioso do que com qualquer ideal de país.
O desfecho de Cilia Flores em uma prisão norte-americana parece traçado, mas sua marca na história da América Latina será a de uma mulher que nunca recuou. O bolsonarismo, por outro lado, derrete diante da justiça brasileira e da irrelevância internacional, revelando-se uma seita de hipócritas que usam o nome de Jesus para esconder a falta de caráter. A trajetória de Cilia, de 69 anos, mostra que a política exige coragem e substância, qualidades inexistentes na prole de Bolsonaro e em seus aliados, que preferem o conforto das praias e a manipulação da fé alheia enquanto o patriarca da família caminha para o acerto de contas com a história.
A prisão de Maduro e Cilia encerra um ciclo político na Venezuela de forma violenta, mas a dignidade da "primeira combatente" no momento da queda servirá de espelho para as gerações futuras. O contraste é a maior lição: de um lado, a luta por soberania, mesmo sob erros e pressões imperiais; do outro, o projeto de poder mesquinho e fanático do bolsonarismo, que não possui um pingo da honradez necessária para sustentar o que prega. Cilia Flores sairá de cena com a cabeça erguida, enquanto Michelle Bolsonaro e sua trupe serão lembrados apenas como um rodapé vergonhoso e oportunista na história do Brasil.
Com informações do DCM
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