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A Polícia Federal revelou conexões estarrecedoras que mostram como o dinheiro subtraído de aposentados brasileiros foi utilizado para financiar eventos políticos de figuras do alto escalão em Brasília. Segundo as investigações, Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", utilizou suas empresas para bancar um evento de pescadores em Patos (PB), reduto eleitoral de Hugo Motta, presidente da Câmara. A celebração, ocorrida em fevereiro de 2024, contou com a participação de Motta e do ministro da Pesca, André de Paula, evidenciando como entidades investigadas por corrupção buscam proximidade com o poder para legitimar suas atividades ilícitas.
O financiamento do evento foi viabilizado pela Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade que a PF aponta ter o "Careca" como dono de fato. Esta organização é o centro de um esquema que arrecadou R$ 99 milhões por meio de descontos indevidos em aposentadorias, apresentando um crescimento explosivo justamente a partir de 2023. Mensagens interceptadas entre sócios do grupo mostram a solicitação explícita de R$ 130 mil para cobrir custos de produção e apresentações musicais para o que chamavam internamente de "evento de Hugo Motta", quitado por uma das firmas do esquema.
Embora a Polícia Federal ressalte que, até o momento, não existam indícios de que Hugo Motta soubesse da origem criminosa dos recursos, a promiscuidade entre a organização de eventos e o financiamento por empresas sob investigação acende um alerta sobre o uso de "cortesia" empresarial em atos políticos. O presidente da Câmara defendeu-se alegando que participou do ato apenas como representante da região, desconhecendo os bastidores financeiros. No entanto, a presença de Alessandro Stefanutto — então presidente do INSS e posteriormente preso pela PF — na mesma cerimônia, reforça a rede de influências tecida pelo "Careca".
Durante a agenda na Paraíba, Motta e o ministro André de Paula chegaram a visitar projetos de repovoamento de peixes administrados pela própria CBPA, demonstrando como a entidade investigada estava entranhada na execução de políticas públicas ao lado de autoridades ministeriais. Enquanto o ministro da Pesca manteve silêncio sobre o caso, os comprovantes bancários e as notas fiscais identificados pela corporação formam uma prova material robusta de que a estrutura montada para espoliar idosos servia também para lubrificar as relações políticas do grupo em seus currais eleitorais.
A defesa de Antônio Carlos, o "Careca do INSS", optou pelo silêncio, alegando falta de acesso integral aos dados extraídos dos celulares e pendências no Supremo Tribunal Federal. Essa postura é típica de investigados que se veem cercados por evidências de transferências bancárias diretas que conectam o lucro do golpe contra aposentados ao financiamento de palanques políticos. O caso expõe a face mais perversa da corrupção: o uso da vulnerabilidade de milhões de segurados do INSS para sustentar o luxo e a visibilidade de lobistas e seus aliados em festas suntuosas no interior do país.
O avanço das investigações da PF sobre a CBPA e o "Careca do INSS" coloca Hugo Motta em uma posição desconfortável, mesmo sem o indiciamento direto. A revelação de que seu principal evento de base foi pago com dinheiro sob suspeita de fraude bilionária exige explicações mais profundas sobre como esses grupos conseguem livre trânsito em gabinetes e cerimônias oficiais. A luta contra o bolsonarismo e suas práticas de aparelhamento das instituições passa, necessariamente, por desmantelar esses esquemas que utilizam o suor do trabalhador para alimentar a engrenagem de influência política de grupos inescrupulosos.
Com informações do DCM
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