392 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A tensão nos Estados Unidos atingiu um ponto de ruptura nesta semana, após a morte de Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, assassinada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O crime ocorreu na quarta-feira (7), em Minneapolis, durante o que o governo de Donald Trump classificou como a "maior operação de segurança interna de todos os tempos". Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que policiais cercam o veículo da vítima; quando ela tenta sair com o carro, um agente dispara à queima-roupa. A tragédia gerou uma onda imediata de revolta, com milhares de manifestantes indo às ruas para enfrentar as forças federais.
O presidente Donald Trump saiu em defesa do agente, afirmando em suas redes sociais que o policial agiu em "legítima defesa" contra uma suposta agressão da motorista. No entanto, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, rebateu duramente a versão da Casa Branca, chamando-a de "uma grande mentira". Frey exigiu que o ICE deixe a cidade imediatamente, acusando a polícia federal de Trump de agir como uma milícia particular que semeia o caos e a violência contra cidadãos e imigrantes. A crise em Minneapolis se espalhou para outras metrópoles, como Nova York e São Francisco, onde manifestantes queimaram bandeiras americanas em sinal de total descrença no sistema.
A retórica de "guerra civil" ganhou força após grupos de direitos civis compararem a tática de Trump à de regimes fascistas, utilizando forças de segurança para provocar confrontos em cidades governadas pela oposição. Além da violência policial, os protestos também miram a recente invasão da Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro, ações que muitos americanos consideram ilegais e imperialistas. Em cidades como Los Angeles, a Guarda Nacional já foi mobilizada para conter barricadas e bloqueios de rodovias, resultando em prisões em massa e um clima de insegurança que o país não via desde os levantes de 2020.
O racha institucional é profundo: de um lado, o governo Trump intensifica as batidas migratórias e o uso de força letal; de outro, governadores e prefeitos democratas prometem resistir e proteger seus cidadãos da "polícia nazista" de imigração. A queima da própria bandeira por americanos — um ato agora punível com prisão por decreto presidencial — simboliza uma parcela da população que não se sente mais representada pelo "sonho americano". Enquanto o país se divide entre o apoio fanático ao presidente e a resistência nas ruas, a economia também sente os reflexos, com o avanço da desdolarização global acelerado pela instabilidade interna dos EUA.
O desespero de Trump diante das críticas é visível em seus ataques constantes à imprensa e aos manifestantes, que ele rotula como "radicais de esquerda". Contudo, o assassinato de uma cidadã desarmada em solo americano é um fato difícil de ignorar, mesmo para sua base mais leal. O episódio em Minneapolis pode ser o estopim de um conflito maior, à medida que a população percebe que as armas do império, antes usadas apenas contra nações estrangeiras como a Venezuela, estão agora sendo apontadas para os próprios cidadãos americanos. A "pacificação" prometida por Trump parece cada vez mais distante, dando lugar a uma era de confronto permanente e fragmentação nacional.
Assista aos vídeos:
America is at civil war. pic.twitter.com/foAuv4sscI
— ADAM (@AdameMedia) January 7, 2026
Our message to Donald Trump and Congress following the killing of Renee Nicole Good in Minneapolis by an ICE officer. pic.twitter.com/p6AjQO5RcZ
— The Good Trouble Show with Matt Ford (@GoodTroubleShow) January 8, 2026