Herança bolsonarista: Expansão de cursos sem qualidade coloca brasileiros em risco

Portal Plantão Brasil
20/1/2026 11:09

Herança bolsonarista: Expansão de cursos sem qualidade coloca brasileiros em risco

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O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta segunda-feira resultados alarmantes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O levantamento revela que 107 das 351 faculdades de medicina do país — quase um terço do total — apresentam desempenho insatisfatório. Nesses cursos, menos de 60% dos alunos conseguiram atingir o nível de proficiência, expondo o rastro de destruição deixado pela expansão desenfreada e sem critérios de escolas médicas ocorrida nos últimos anos, muitas vezes para atender interesses de grandes grupos educacionais.

Diante do cenário crítico, o governo federal já identificou 99 instituições que podem sofrer intervenções severas. O MEC informou que serão abertos processos administrativos que podem resultar na redução de vagas ou até na suspensão definitiva de novos vestibulares para essas faculdades. As instituições terão apenas 30 dias para tentar justificar o fracasso pedagógico, em um esforço da atual gestão para garantir que o sonho de cursar medicina não se torne um pesadelo para a saúde pública brasileira.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio de seu presidente José Hiran Gallo, classificou a situação como um problema gravíssimo para a segurança da população. Segundo a entidade, mais de 13 mil formandos tiveram desempenho considerado crítico ou insuficiente. O ponto mais revoltante é que, mesmo sem comprovarem as competências mínimas exigidas pelo próprio MEC, esses milhares de egressos receberão o diploma e o registro profissional, estando aptos a atender pacientes em todo o território nacional.

Entidades médicas, como a Associação Médica Brasileira (AMB), apontam que a expansão acelerada de cursos nos últimos 15 anos priorizou o lucro em detrimento da qualidade técnica. O presidente da AMB, César Eduardo Fernandes, destacou que mesmo o conceito intermediário (nota 3 de 5) é insuficiente para garantir um atendimento seguro. A preocupação é que, somando as notas baixas e médias, cerca de metade dos novos médicos formados no Brasil não possui uma formação classificada como "boa", o que exige uma auditoria permanente nessas instituições.

Os dados do Enamed jogam luz sobre a urgência de medidas mais rígidas, como o projeto do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed). A proposta, que já avançou no Senado, quer estabelecer uma prova obrigatória para o exercício da profissão, nos moldes do exame da OAB. A medida é vista como um filtro necessário para barrar a entrada de profissionais despreparados no mercado de trabalho e conter o avanço das chamadas "fábricas de diplomas" que se multiplicaram sob o olhar conivente de gestões passadas.

A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) reforçou que a abertura indiscriminada de escolas médicas exige uma reação contundente do Estado. O objetivo é proteger a sociedade e valorizar a boa medicina, garantindo que apenas aqueles considerados aptos após rigorosa avaliação possam cuidar da vida das pessoas. Enquanto o governo Lula trabalha para organizar esse setor vital, as instituições reprovadas agora enfrentam o peso da fiscalização que deveria ter ocorrido muito antes de colocarem milhares de vidas em perigo.

Com informações do DCM

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