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A guerra interna na extrema direita ganhou novos capítulos de deboche e desespero. Três dias após abandonar a presidência do PL Mulher devido aos ataques covardes de seu enteado, Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro utilizou suas redes sociais nesta sexta-feira para disparar provocações cifradas contra a milícia digital da família. Em um movimento que chocou os extremistas, a ex-primeira-dama foi ao Instagram elogiar publicamente a nova Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, classificada por ela como um sonho realizado. O programa de inclusão foi lançado no auditório do Ministério da Educação pelo governo popular de Lula.
O aceno de Michelle ao projeto de Lula escancara o racha irremediável no ninho golpista e sinaliza que ela não aceitará o isolamento político imposto pelos homens do clã. O programa do governo federal, inclusive, atende a uma demanda histórica da comunidade surda negligenciada na gestão passada, já que o diagnóstico atual do MEC aponta que míseros 12% das redes públicas de ensino contam com materiais pedagógicos adequados em Libras. Enquanto o governo trabalha de forma séria pela acessibilidade e educação, os herdeiros do bolsonarismo seguem mergulhados em uma disputa paroquial por poder e vaidade.
A saída de Michelle do cargo partidário provocou um verdadeiro terremoto na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Sentindo o desgaste fulminante com o eleitorado feminino e com a base evangélica, o senador e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, aplicaram um golpe interno para impedir que a vice-presidente do núcleo e aliada de Michelle, Priscila Costa, assumisse o comando. Em uma manobra tipicamente machista que foi denunciada até pelo ex-secretário Fábio Wajngarten, a cúpula masculina do PL simplesmente extinguiu a presidência do movimento de mulheres para aniquilar qualquer liderança feminina autônoma.
O ápice do ridículo da machocracia bolsonarista ficou evidente nos atos das seções regionais do partido, que chegaram a fazer reuniões e tirar fotos ao lado de um totem de papelão de Michelle Bolsonaro em tamanho real. A cena patética resume a operação política da legenda: afastar a liderança real da tomada de decisões, mas mantê-la como um objeto visual de propaganda. A cúpula planeja usar as peças publicitárias já gravadas por ela para o Distrito Federal, Rondônia e Acre na campanha oficial que se inicia em agosto, mesmo sem o aval público ou o consentimento de Michelle após a humilhação sofrida.
O calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral aperta os prazos e deixa a oposição sem rumo diante da perda de seu principal cabo eleitoral. O desespero de Flávio Bolsonaro é tão grande que seus assessores buscam freneticamente uma vice mulher para tentar estancar a sangria de votos provocada pelo atrito familiar. Contudo, a humilhação imposta à própria madrasta esvaziou a credibilidade do clã, deixando em total incerteza inclusive a candidatura de Michelle ao Senado. Enquanto os extremistas se destroem mutuamente e tentam usar mulheres como meros enfeites de papelão, o campo progressista avança entregando direitos reais à população.
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