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A comemoração do Dois de Julho, data histórica que marca a Independência do Brasil na Bahia, alcançou um novo patamar de projeção em todo o território nacional. A transformação política ocorre após a sanção do projeto de lei idealizado por Leo Prates, que transfere de forma simbólica a sede do governo e torna Salvador a capital federativa do país durante as festividades desta quinta-feira. O marco legal coroa a relevância histórica da expulsão definitiva das forças coloniais portuguesas, consolidada em 1823, e reposiciona o protagonismo baiano na construção da soberania nacional.
As celebrações populares preservam as tradicionais figuras do Caboclo e da Cabocla como os eixos centrais de identidade e de resistência contra a opressão. O cortejo cívico partiu do bairro da Liberdade, arrastando uma multidão pelas ruas históricas até o Largo do Campo Grande, em um rito que remonta às manifestações espontâneas surgidas logo após a vitória militar dos patriotas. Enquanto a estátua do Caboclo foi incorporada às marchas na década de 1840, a imagem da Cabocla consolidou-se como uma representação de Catarina Paraguaçu, simbolizando o engajamento e a força das mulheres na linha de frente dos combates.
Ao longo das décadas, o desfile ultrapassou o caráter puramente político para se consolidar como uma manifestação de fé sincrética, estreitando laços com as matrizes religiosas dos terreiros de candomblé da região. O Largo do Campo Grande transformou-se em um espaço de devoção, onde milhares de fiéis depositam frutas e oferendas aos pés das imagens em agradecimento por graças alcançadas. Historiadores como Fábio Batista Pereira enfatizam que a preservação dessas estátuas e rituais resgata o papel decisivo de negros e indígenas, cujos descendentes seguem mobilizados nas periferias por direitos sociais e cidadania plena.
Com informações do DCM
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