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O senador Flávio Bolsonaro enfrenta o agravamento de uma crise de imagem crônica em sua biografia política. Em meio ao desgaste provocado por revelações de elos com Daniel Vorcaro e pela repercussão de um vídeo contundente gravado por sua madrasta, Michelle Bolsonaro, o parlamentar agora precisa lidar com o retorno de um antigo fantasma: sua íntima ligação com o advogado criminalista Willer Tomaz. O epicentro da polêmica reside na disputa judicial por uma mansão de luxo avaliada em 10 milhões de reais na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, que foi tomada do jogador de futebol Richarlison de Andrade, ex-atacante da
Seleção Brasileira. O atleta rompeu o silêncio durante uma transmissão ao vivo da advogada Ana Paula Zantut nesta terça-feira, desabafando sobre o prejuízo milionário sofrido na propriedade que conta com 11 suítes, heliponto e praia privativa.
A interferência de Flávio Bolsonaro no caso remonta ao ano de 2020, quando o parlamentar visitou o imóvel e manifestou imediata cobiça pela área, mesmo sendo informado de que o local já havia sido comprado pela empresa Sport 70, pertencente a Richarlison e seu empresário, Renato Velasco. Ignorando a venda fechada, o senador e seu amigo íntimo Willer Tomaz retornaram posteriormente ao perímetro em uma lancha para registrar imagens aéreas da propriedade. Pouco tempo depois, o advogado iniciou uma agressiva ofensiva jurídica para arrancar a posse do imóvel, resultando em episódios dramáticos como o relato de uma idosa induzida a assinar documentos e a violenta expulsão da esposa grávida do empresário do jogador durante uma reintegração de posse, fato que provocou a antecipação de seu parto.
Embora Flávio Bolsonaro negue qualquer participação direta no litígio imobiliário, seu nome foi arrolado formalmente como testemunha chave na ação judicial movida por seu comparsa. O interesse de Flávio Bolsonaro pela mansão de Angra dos Reis coincide cronologicamente com sua forte atuação no Congresso Nacional em favor de projetos voltados para a privatização de praias e a transformação da Costa Verde fluminense em um polo turístico exclusivo para bilionários. Muito antes de o debate sobre o controle privado do litoral ganhar contornos nacionais, o senador já patrocinava propostas legislativas para criar uma região administrativa especial destinada a beneficiar grandes empreendimentos imobiliários na exata localidade onde se encontra a mansão tomada ao jogador.
O histórico de transações obscuras entre o parlamentar bolsonarista e o advogado criminalista é antigo e acumula episódios de intensa repercussão nos órgãos de controle financeiro. Em 2019, durante uma viagem conjunta a Las Vegas, nos Estados Unidos, a dupla realizou um saque de 1,5 milhão de reais em espécie diretamente nos caixas de um cassino sob a justificativa oficial de utilizar o dinheiro vivo para a realização de apostas em mesas de jogos. A movimentação em dinheiro em espécie acendeu o alerta de investigadores, pois ocorreu no mesmo período em que o gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro era alvo de auditorias por esquemas de desvios de recursos públicos conhecidos como rachadinhas.
Willer Tomaz possui uma trajetória amplamente conhecida nos bastidores do Poder Judiciário em Brasília por representar políticos tradicionais e grandes empresários envolvidos em escândalos de corrupção sistêmica. Em 2017, o advogado chegou a ser preso preventivamente pela Polícia Federal no âmbito da Operação Patmos, acusado formalmente de comprar decisões judiciais em favor do empresário Joesley Batista, da JBS. Apesar de responder aos processos em liberdade e negar as acusações, a figura do criminalista consolidou-se como um operador estratégico do clã Bolsonaro em negócios patrimoniais, transformando o escândalo da mansão de Richarlison em mais um capítulo que expõe a fusão entre interesses públicos e privados da família de Jair Bolsonaro.

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