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O desespero tomou conta dos bastidores da extrema direita com a iminente possibilidade de Michelle Bolsonaro cumprir as ameaças de abandonar a sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Diante do racha familiar e das frituras públicas que vem sofrendo de seus próprios aliados extremistas, lideranças da legenda começaram a traçar planos de contingência. O nome escolhido para tapar o buraco deixado pela ex-primeira-dama, caso ela formalize a sua saída da disputa, é o do senador Izalci Lucas, que passaria a ser a alternativa imediata para tentar salvar o palanque do grupo.
A movimentação forçada para abrigar Izalci Lucas expõe a desorganização interna do partido no Distrito Federal, que originalmente pretendia lançar duas candidaturas ao Senado: a de Michelle Bolsonaro e a da deputada federal radical Bia Kicis. Nessa configuração anterior, a tentativa de reeleição do senador estava completamente descartada e enterrada pela cúpula da legenda. Com a corda no pescoço e o risco real de um esvaziamento eleitoral, o partido agora se vê obrigado a reabilitar o parlamentar como uma espécie de estepe de luxo para a chapa.
O histórico eleitoral recente do senador escolhido como plano B, no entanto, não traz grandes garantias de sucesso e evidencia o enfraquecimento do bolsonarismo na capital federal. Na última eleição majoritária que disputou em 2022, quando tentou o governo do Distrito Federal, Izalci Lucas amargou um fracasso retumbante ao terminar a corrida em um vergonhoso sexto lugar na preferência dos eleitores. O plano de mantê-lo no Senado só avançará se a ex-primeira-dama oficializar o recuo, já que o partido não tem como acomodar as três vaidades na mesma chapa.
O calendário imposto pelo Tribunal Superior Eleitoral joga ainda mais pressão sobre o clã extremista, esgotando o tempo para as definições de convenções partidárias que ocorrem obrigatoriamente até o início de agosto. O prazo curto limita drasticamente a capacidade de manobra das lideranças do partido, tornando urgente uma resposta definitiva sobre os rumos da chapa no Distrito Federal. Apesar do clima de velório e das negociações secretas por um substituto, a legenda tenta manter as aparências e ainda trata publicamente a mulher de Jair Bolsonaro como a titular da vaga.
A operação para evitar que Michelle Bolsonaro desista do pleito mobilizou outras figuras conhecidas da extrema direita, como a senadora Damares Alves, que entrou em campo para tentar conter a crise de choro e o isolamento da aliada. Damares Alves iniciou uma forte pregação de bastidores para convencer a ex-primeira-dama a não entregar os pontos, usando discursos inflamados sobre a importância de sua permanência na política institucional. O esforço desesperado reflete o medo coletivo de que o abandono da disputa provoque um efeito cascata de derretimento eleitoral em toda a base conservadora.
Com informações do DCM
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