Tucano Dória amigo de Moro, é processado por ficar com vinhos de empresário sem pagar
Empresário acusa o tucano amigo de Moro, candidato pelo PSDB a prefeitura de SP a devolver 84 mil em vinhos que ele não pagou
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Jornal GGN
O candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, João Doria Filho está sendo processado por um comerciante de vinhos, Elidio Lopes, para devolver uma grande quantidade de garrafas de vinhos caros que estão na sua casa sem terem sido compradas e pagas. A estoria, segundo materia na FOLHA de hoje, vem de um acordo pelo qual Elidio entregou as garrafas, que ele alega valerem US$ 84.000, emprestadas para que Doria enchesse sua adega para mostrar aos amigos e não para beber - Doria diz que não bebe vinho.
Elidio é um conhecido personagem do mundo dos vinhos de São Paulo, tinha uma importadora, a Terroir e uma loja no Bar des Arts, um conhecido point dos moradores dos Jardins especialmente no começo da decada.
A estoria é realmente sui generis mas esta de acordo com a tipologia social de João Doria. Ele precisa mostrar sucesso e luxo e no mundo dos novos ricos de São Paulo a adega é um item essencial, assim como a coleção de charutos e a biblioteca de livros nunca lidos ou livros fakes só para exibição. Com relação aos vinhos, é raro o novo rico que conhecesse alguma coisa, eles gostam de fingir conhecer e mostrar intimidade com os rotulos mas é puro teatro.
Para conhecer vinhos de verdade é preciso ter a cultura do vinho, leitura, informação, não é só comprar.
Doria representa um segmento importante da sociedade paulistana, uma cidade globaal com muita gente indo e vindo, especialmente executivos estrangeiros e nas multinacionais de hoje há muito presidente que começou como vendedor, subiu na escala corporativa mas lhes faltam o verniz social que Doria vende e entrega.
NOVOS RICOS EXIBICIONISTAS - Sua identidade depende da exibição ostensiva de luxo e sucesso, ai entram carros, helicopteros, jantares divulgados em revistas de frivolidades. Doria é um empresario de relacionamentos, de grande sucesso, criou uma grife chamda LIDE que muita gente pensa que é uma associação mas na realidade é apenas um
network de relacionamentos vendidos em jantares e eventos em praias e resorts. O "business" tem grande faturamento, tudo é pago e caro, se o cliente quer almoçar na mesa do Ministro paga mais , os fins de semana em Comandatuba são carissimos e tem executivos de empresas que pagam (na realidade quem paga é a empresa), a esposa vai junto e ganha presentinhos embrulhados em papel de oncinha, elas adoram.
Essa categoria nasceu com a globalização das empresas, chegam a CEO pessoas de fora ou que subiram dentro das empresas e que não tem a rede social dos ricos antigos, Doria se encarrega de fornecer os contatos com outros CEOs.
Esse grupo é formado basicamente por executivos e não por donos de empresas.
Doria tem uma função legitima e util para esse grupo de "foraneos" pessoas que não tem grupo social de berço ou de "turma", começaram michos na escalada da vida, geralmente familias de classe media ou até classe modesta.
A exibição da adega está no campo da necessidade de Doria de de impressionar, como é sua monumental casa de 7.000 metros quadrados de terreno nos Jardins, formada pela junção de tres casas antigas.
Nesse grupo há um sub-grupo de empresarios do interior do Estado que gosta dessas curtições do Doria, seu meio social original é muito pequeno e eles querem se enturmar na metrople paulistana e mostrar fotos dos almoços e jantares em resorts junto com Ministros para os amigos da cidade como prova de sucesso. No interior de São Paulo há grandes empresas e grandes fortunas meio isoladas é um mercado excelente para firmas de relacionamentos.
RICOS ANTIGOS E DISCRETOS - Descendentes de imigrantes italianos ou libaneses na maioria, já na 3ª geração, nessa categoria há super ricos em SP de quem ninguem do grande publico ouviu falar, nomes como Salomone ou Mofarrej, com imenso patrimonio imobiliario. Esses ricos não gostam de aparecer, acham que isso só traz problemas. Esses que não querem ser celebridades não precisam de networking, aliás pagam para serem desconhecidos
ELITES TRADICIONAIS DE SÃO PAULO - Desdobramentos da antiga elite cafeeira que se voltou para outros ramos, açicar e alcool, bancos, seguros, já tem relacionamento suficiente de 400 anos, não precisam de ostentação porque seu refinamento é de berço e de gerações, não precisam da identidade que a riqueza dá porque tem um senso de superioridade natural que vem de 300 ou 400 anos de elitização. Essa elite é maior do que se imagina mas não se vê de fora porque não aparecem para o publico e circulam dentro de seu grupo. A elite tradicional considera a exibição e ostentação algo "cafona", "brega", de gente sem classe. Um bom exemplo é o falecido banqueiro OLavo Setubal, de familia super tradicional e que morava no mesmo apartamento há 30 anos, desde quando não tinha banco, sua casa de campo era em Aguas da Prata, uma estancia mineral nada sofisticada.
ELITE INTELECTUAL E PROFISSIONAL - Grandes médicos, grandes advogados, tem seu circulo formado desde a faculdade e não precisam e não querem "aparecer" em mesas de desconhecidos. É uma elite bem grande em São Paulo, maior centro medico da America Latina e onde há maior concentração de grandes escitorios de advocacia,
há varios escritorios com 400 ou 500 advogados e há um com mais de 1.000 (Pinheiro Neto).
Essa classificação é bem grosseira e há evidentemente pontos fora da curva mas é um absurdo certos comentaristas colocarem na mesma panela elites paulistanas tão diferentes, até politicamente são distintas, por exemplo a quase totalidade dos novos ricos é anti-PT roxo, na elite tradicional há um bom contingente de esquerda (Caio Prado Junior, Plinio de Arruda Samapio, Eduardo Suplicy, Francisco Whitaker), de esquerda mas sofisticados, tomaram chá em criança e tem modos à mesa.
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