Bloqueio de estradas é articulado desde 14 de outubro, apoiado por militares aposentados

Portal Plantão Brasil
1/11/2022 17:53

Bloqueio de estradas é articulado desde 14 de outubro, apoiado por militares aposentados

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27768 visitas - Fonte: Agência Pública

“Preparem as barracas, o povo nas cidades vai para os quartéis os caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias”, diz a mensagem, com erros de ortografia, que circulou no Telegram bolsonarista. Apesar da paralisação antidemocrática ter se concretizado apenas no final de outubro — após o resultado das eleições que declararam a derrota de Jair Bolsonaro para Lula — o chamado foi disparado semanas antes, no dia 14. “DIA 30 vamos votar e PERMANECER NAS RUAS”, previa a convocação.

Investigação da Agência Pública descobriu que a mensagem, enviada no grupo ODB Ordem de Cristo, com 3,5 mil membros, não foi um conteúdo isolado.

Durante todo o período que antecedeu o 2º turno, chamados de paralisação de caminhoneiros circularam em grupos bolsonaristas. A maioria dos grupos não permite ver a quantidade de visualizações de cada postagem. As mensagens mostram que os extremistas traçaram ao menos dois cenários: realizar a paralisação nas semanas anteriores à votação ou logo após a divulgação dos resultados, no que já chamavam de “contra-golpe” – antes mesmo da eleição acontecer.


Mensagem golpista de 14 de outubro pediu a bolsonaristas para permanecerem nas ruas após a votação e convocou paralisação de caminhoneiros

“Intervenção civil é dias e dias a fio.. até que o ORDENAMENTO DO POVO SOBERANO SEJA CUMPRIDA”, defende uma mensagem compartilhada no grupo Conservadores, com 2,1 mil membros, no dia 15 de outubro. Dois dias depois, um novo chamamento ilegal no grupo também citaria os caminhoneiros: “caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias!!! O Lula e o STF só teme as FFAA! Selva!”.

Segundo a lei 14.197/2021, atentar contra as instituições democráticas é crime e pode levar de 4 a 12 anos de reclusão.

Já no dia 19, uma nova mensagem no grupo traçou o plano: “Se houver golpe. *Todos* precisamos fazer o contra golpe *imediatamente* após o anúncio. O povo precisa, uma parte cercar os cartórios eleitorais e sedes do TSE e outra parte ir para as portas dos quartéis e caminhoneiros e agricultores trancar os trevos de rodovias em DEDOBEDIENCIA CIVIL”.

Essa mensagem e diversas outras que chamaram a paralisação de caminhoneiros fizeram menção a um discurso realizado por Bolsonaro em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no dia 11 de outubro.

Segundo os extremistas, a fala do presidente para que os eleitores permanecessem na seção após a votação seria um indicativo para as paralisações.

“Pegar a convocação que o PR fez em Pelotas-RS para o povo PERMANECER (iniciar a intervenção) e ao receber a notícia da fraude seguir todos para as portas dos quartéis. Preparem as barracas, o povo nas cidades irão para os Quartéis, os caminhoneiros e o agro irão parar às rodovias!!!”, diz um dos textos, que circulou nos grupos Ordem de Cristo, Conservadores e SCO Sociedade Civil, este último com 4,9 mil membros.

Em Pelotas, no dia 11, Jair Bolsonaro havia dito que “No próximo dia 30, de verde e amarelo, vamos votar e vamos permanecer na região da seção eleitoral até a apuração dos resultados. Tenho certeza que o resultado será aquele que todos nós esperamos, até porque o outro lado não consegue reunir ninguém”, afirmou. No 1º turno, foi Luís Inácio Lula da Silva que teve mais votos na cidade.

Militares da reserva queriam greve de caminhoneiros antes do 2º turno

“Ah, mas vai prejudicar a economia… Quatro dias, cinco dias paralisado vai prejudicar a economia?!”, questiona o coronel da reserva da Aeronáutica Marcos Koury, defendendo que caminhoneiros bloqueassem as principais rodovias do país.

“A ideia é sensibilizar o presidente da República, apoiar o Bolsonaro, ajudar o Bolsonaro”, explica.

O vídeo, publicado no dia 16 de outubro, foi uma dentre as várias tentativas fracassadas do militar de incitar uma greve geral de caminhoneiros antes do segundo turno das eleições. A ideia era a seguinte: os motoristas deveriam paralisar o Brasil para demonstrar apoio a Bolsonaro, que teria tempo de publicar uma Medida Provisória que instituiria o voto impresso. A MP da cédula impressa é uma bandeira de Koury no grupo B-38, formado por militares da reserva apoiadores de Bolsonaro e criado em 2018.

Com uma série de canais desmonetizados no YouTube, Koury comemora em vídeo de 28 de outubro mais de 1 milhão de visualizações em seus últimos vídeos, mas reclama de ter recebido “apenas três Pix depositados”. Nesta terça-feira, em vídeo hospedado no YouTube e distribuído em grupos de Telegram, pede novamente contribuições depois de exaltar paralisação em Pernambuco e afirmar que é necessário “agir em conjunto, paralisar o Brasil, para nós não entrarmos no socialismo”.


Reportagem da Pública mostrou que em fevereiro deste ano, Koury e outros quatro integrantes do grupo reuniram com o chefe do Gabinete de Segurança Institucional no Planalto, o general Augusto Heleno. O maior grupo de Telegram do B-38, o Super Grupo, está atualmente excluído do Telegram. Ele já havia sido suspenso em maio.

No vídeo, o militar aposentado menciona o movimento para que a paralisação aconteça após a votação. “Ah, coronel, tem um movimento para paralisar o Brasil dia 30 se houverem fraudes. […] Vou abrir o jogo com vocês: o que vocês estão me pedindo é deixar eles tomarem a capital que depois a gente toma de volta? Paralisar dia 30 é chorar sobre o leite derramado”, criticou.

O vídeo de Koury sobre as paralisações foi compartilhado em diversos grupos bolsonaristas no Telegram: Bolsonaro 22, com 55,3 mil membros; Advogados pela Verdade, com 7,7 mil; ODB Ordem de Cristo, com 3,5 mil; e Aliança com Bolsonaro, com 1,7 mil membros, dentre outros. Dias depois, membros desses mesmos grupos passaram a defender os bloqueios às rodovias pós-eleições.
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